Bruno Filippo homenageia o ex-senador que faleceu nesta sexta-feira em sua casa no Rio
Bruno Filippo (Colunista do Dia na Folia)
Paulo Alberto Monteiro de Barros só se tornou conhecido ao morrer na tarde desta sexta-feira, aos 72 anos. Por quarenta anos, a população brasileira chamou-o Artur da Távola, pseudônimo com que escreveu livros, apresentou programas de rádio e televisão, assinou crônicas e críticas nos jornais e se imiscuiu na política, elegendo-se senador da República pelo Rio de Janeiro, entre outros cargos. Um intelectual múltiplo, erudito, avesso ao academicismo sectário, um orador brilhante.
Os obituários já se encarregam de contar esta história com mais detalhes. Sua morte é uma tragédia para a cultura brasileira não somente pela perda em si, mas pela constatação de que o Brasil que o formou intelectualmente desaparecera bem antes dele, um Brasil que, à perda de suas gerações brilhantes, vê-se há muito incapaz de formar seguidores à altura, ou pelo menos alguns degraus abaixo.
Ao assumir a direção da Rádio Roquette Pinto, mesmo enfrentando problemas de saúde, Artur da Távola injetou qualidade na programação. Mêlomano, transitando com desenvoltura entre a música popular e a música erudita, abriu espaço para o que tinha qualidade. Um “cantor”, observando a mudança, não se conteve: “ Nossa! A rádio está tocando umas músicas estranhas.”
O Brasil de Paulo Alberto já não era o de Artur da Távola
* Bruno Fillipo é jornalista, sociólogo e coordenador do Instituto do Carnaval da Universidade Estácio de Sá
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