Artigo: 'Seja qual for o resultado, Paulo Barros já é vencedor'
Colunista Bruno Filippo comenta episódio com a Viradouro e sentencia: 'Paulo Barros é o Joãosinho Trinta dos tempos modernos'
Bruno Filippo (Colunista do Dia na Folia)
Questões estéticas à parte, uma cena tão macabra como a que o carro alegórico reproduz pode ser adequada a um espetáculo – ou a uma festa, mutatis mutandis – como um desfile de escola de samba? O problema de representar na Sapucaí momentos da história como o Holocausto é o ambiente festivo que os envolve.
Paulo Barros justifica a alegoria dizendo querer propor um momento de reflexão, de alertar o público para os horrores do Nazismo. No entanto, como o enredo é um tema abstrato (o arrepio), sem encadeamento lógico, em que cabe de tudo um pouco – de Cartola a Hitler, do Boneco Assassino à Copa de 70 -, a alusão ao extermínio de judeus não parece enquadrar-se explicitamente nesse fim humanista, ainda que seja esta a intenção do carnavalesco.
Talvez tenha sido esse o motivo do descontentamento da comunidade judaica, sobretudo depois da revelação de que Hitler também estaria no carro, como que se orgulhando de seu “feito”.
Seja qual for o resultado da disputa jurídica, Paulo Barros já é o vencedor. Artista que fez uma revolução personalista do carnaval, faltava-lhe uma polêmica dessa magnitude. A três dias do carnaval, os holofotes estão nele. Ele é o Joãosinho Trinta dos tempos modernos.
Bruno Filippo é jornalista e coordenador do Instituto do Carnaval
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