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Artigo: Será que está acontecendo alguma coisa nova no Carnaval? Luis Carlos Magalhães Pôxa, se eu estivesse aí desse lado e lesse um título desse meu coração-folião se encheria de esperança. Pena que não seja um título-afirmação e sim um título-interrogação. Mas como carnaval é fantasia, que tal usar o imaginário e “vadiar nesse cordão”, como disse o Buarque. Eu acho, “num sei não”, que tem uma escola aí que vai “arrebentar”, vai “arrepiar”, vai nos deixar “na maior felicidade”. Uma escola que vai “errar” no carnaval. Caramba...será possível que uma escola ouse tanto, tenha essa suprema segurança, o extraordinário atrevimento de permitir que seus componentes errem. Não aquele erro da vaidade, da irresponsabilidade com o grupo. Não, nada disso. Sim aquele erro bom, saudável, santo, abençoado que cometem aqueles verdadeiros foliões do carnaval. Aqueles que amam sua escola, que acham maravilhoso seu enredo, que acham lindo o samba que cantam. Aqueles que tomados pela emoção do carnaval se deixam levar por Orfeu. Que cantam, cantam, mas cantam tanto, e dançam mais ainda que acabam por incendiar o Setor 1 e balançar os outros setores. “Num sei não” mas essa escola não vai ganhar o carnaval. Quer dizer, não será ela que ganhará o carnaval; quem ganhará o carnaval somos nós, pessoal, nós. Nós vamos ganhar o carnaval. Mas enquanto não descubro que escola é essa, enquanto eu não descubro, pelo menos, se é neste planeta que ela vai desfilar, digo e afirmo para vocês aí que há algo novo no carnaval carioca. E nem é tão novo assim...e é “OFF” Sapucaí. Refiro-me ao espaço da Lapa, do Marchódromo da Lapa que no carnaval apresenta um carnaval alternativo. Um outro espaço. Nem melhor, nem pior que a Sapucaí, que a Rio Branco, que Madureira, que Pilares, que as ruas repletas da zona sul. Tudo ocorre no entorno da Fundição Progresso, na pista que envolve a Fundição. Mesmo correndo o risco de cometer imperdoável injustiça, atribuo em grande parte o êxito, o alto astral, a diferente-alegria, a originalidade e momentos culturalmente gratificantes a um conjunto de blocos, ou grupos, que mesmo durante o ano mos brindam com espetáculos que nos enchem de brasilidade. Refiro-me ao Cordão do Boitatá, ao Céu na Terra e ao Rio Maracatu. Marchinha e sambas? Sim, mas pouco... Sei que é disso que a gente gosta, mas isso é mais fácil de achar, e coisa muito boa por aí. Com esse grupos vamos brincar com frevo, maracatu, calango, côco, marcha-rancho, jongo...Sabe que tem gente que acha o jongo mais gostoso de dançar que o samba. Sabe disso, n’é ? Não sou eu que estou dizendo, mas que eu acho...eu acho... Mas, só vendo, só brincando mesmo. Todos são grupos com “cadeira cativa” no programa que tenho tido a oportunidade de fazer anualmente às vésperas do carnaval, ao longo desses cinco últimos, sempre na Rádio MEC-AM. E aí vai a “dica”, pegar ou largar... Neste fim de semana dá bem para sentir o gostinho do Rio Maracatu. Sexta e Sábado. Às 18h30 e 19h, respectivamente. O local é o Centro Municipal de Referência da Música Carioca. Rua Conde de Bonfim, 824, fone 3238-3880. Ingresso: R$ 20. Não deixe de levar as crianças, é uma bela oportunidade de elas verem como o país delas é bonito e vário. Vário?...é...vário...
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