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Artigo: Tá chegando a hora! Luis Carlos Magalhães faz um balanço de suas andanças pré-carnavalescas, arrisca alguns palpites e chama a atenção para aquilo que considera a coisa mais bonita do carnaval: a porta-bandeira Luis Carlos Magalhães De tudo o que vi e ouvi até aqui, de todos os sambas, de todos os ensaios técnicos, de todas as quadras, de todos os barracões, fico com a impressão de que três escolas trarão carnavais caudalosos, pesados, volumosos, difíceis de serem superados: Vila Isabel, Beija-Flor e Grande Rio. Vila Isabel tem contra si o samba que não conseguiu cicatrizar a marca de sua junção. Ficou forte, é verdade, sem ficar redondo. Poderá ser o ano da afirmação de seu jovem carnavalesco, superando o carimbo da “promessa” para se tornar saudabilíssimo “presente”. A seu favor a Vila tem o enredo diretíssimo, de facílima compreensão, sem necessidade de legenda explicativa “embaixo da tela”. Grande Rio, este sim um carnaval amazônico em todos os sentidos, lato e estrito. Tem a seu favor um samba operacional, sem beleza mais com qualidade suficiente para cumprir o seu papel no desfile. Para muitos um milagre de transformação de um tema tão árido para um carnaval tão bonito, ainda que precise de legenda para ser compreendido, coisa que só os jurados terão a seu dispor. O público se contentará com luzes e cores de um belíssimo espetáculo audiovisual. A Beija-Flor, pode aprofundar o “mico” pago pela CPI do carnaval que não conseguiu provar nem mostrar qualquer evidência da “armação” noticiada para todo o Brasil no Fantástico. Por sua trajetória, pelo momento que vive, a Beija-Flor vai precisar apenas de uma “bobeadazinha” à toa dos concorrentes para sagrar-se bicampeã, mas uma “bobeadazinha” muito pequena mesmo, tal como a da Grande Rio do ano passado. O enredo, como o da Grande Rio, só será compreendido integralmente pelos jurados e por quem tiver lido atentamente sua complexa sinopse. Pelo que se viu a escola mais uma vez não desfilará na avenida, deslizará suavemente sobre ela, tal como no ano anterior. Por fora creio que correm a Tijuca, mais que madura para sua tão esperada vitória, com seu carnaval leve que pode reproduzir o sucesso de comunicação do ano anterior e também a Viradouro que parece pronta a apresentar o carnaval mais polêmico de seu não menos polêmico carnavalesco. Ambas trazem enredos “sem legenda” de facílima e imediata comunicação com o público. Quanto à Viradouro, dela sairá o momento de maior repercussão do carnaval. A alegoria do Holocausto levará para a pista a cena de maior horror de toda a história da humanidade. Da mesma forma, considero que dificilmente outra alegoria poderá superar em impacto a pista de esqui trazida pela escola. A “legitimidade” do holocausto dependerá da forma como a alegoria entrará e será recebida nos corações e mentes de todos nós no exato momento do desfile. Só saberemos isso quando tudo acontecer. Mangueira e Portela vou colocar no mesmo barco. Não espero vitória das duas. Entendo que a vitória maior da Mangueira terá sido atravessar esta tormenta sem traumas de maiores conseqüências. Uma boa colocação será uma boa vitória que lhe trará paz para encarar o futuro. Uma vitória sua representará um gigantesco cala-a-boca na turma que está torcendo contra, e olha que não são poucos. De qualquer forma é bom tomar...cuidado que a Mangueira vem aí. A Portela aos poucos retoma sua tradição, retoma seu caminho, aposta forte em sua prata da casa; tudo que precisa para arrancar é voltar no sábado das campeãs. Se isto acontecer terá sido, por enquanto, uma importante vitória que trará o resto de maturidade que ainda porventura falte a Gilsinho, ao Nilo da bateria, aos ainda meninos Mestre Sala e Porta Bandeira, a seus jovens compositores e a sua não menos jovem direção de harmonia. Belíssima plataforma para o futuro de um passado glorioso. Salgueiro traz uma mensagem super oportuna da auto-estima carioca. Se a mensagem “pegar na veia”, se a escola conseguir passar a mensagem, tudo poderá acontecer até em razão do crescimento de seu samba, com passagens que se prestam exatamente a esse fim. Tem contra si a desigualdade da disputa com escolas com fartura de recursos patrocinados. A escola está na “ponta dos cascos”. Dependerá, também, de como a mensagem atingirá os combalidos corações e mentes cariocas, afinal há de ser lindo, uma vez mais, ver o Salgueiro "...contagiando e sacudindo essa Cidade..." Porto da Pedra deu mostras nos ensaios técnicos de que vai dar trabalho. Promete um carnaval multicolorido com grande variação de fantasias japonesas. Conta com minha torcida, tanto quanto outras escolas sem patrocínio. Seus desempenhos serão a prova de que o patrocínio não é garantia de sucesso e que falta de patrocínio não é garantia de inviabilidade. Porto da Pedra tem sido uma heroína da resistência dos não patrocinados. Das três “joaninas” fiz o teste com meus amigos portugueses. A São Clemente agradou mais porque pegou o lado festivo, mais alegre daquele povo. Desnecessário dizer que sua permanência no grupo será sua grande vitória. Para ela e para qualquer outra em posição de escola ascendida. Hoje, ontem ou amanhã. Será sempre assim. A Imperatriz emocionou mais pela beleza do samba. Pôde ser percebido em todos os ensaios o novo astral da escola trazido por um samba altamente estimulante. Não só com relação aos componentes como em relação a sua diretoria e sua carnavalesca visivelmente revigorada pelo sucesso pessoal no PAN e pelo astral do samba. Com certeza será um grande momento do carnaval. A Mocidade tem contra si um tema de difícil compreensão para sua comunidade, para muitos de seus destaques e até para alguns diretores, ainda que seja, em minha opinião, o tema mais bonito do carnaval: o sonho da retomada das glórias interrompidas do povo português, glórias tão magistralmente contadas por Camões no épico "Os Lusíadas" e das quais Dom Sebastião foi a grande esperança de retomada seja em Portugal, seja na Praia dos Lençóis, seja no Arraial de canudos, seja no Rio de Janeiro de 1808... A seu favor o samba que foi o que mais “amadureceu” no pré-carnaval e o bom momento de seu carnavalesco. Mas o carnaval não é só feito de vitórias. Há momentos de rara beleza e emoção que em muito superam uma ou outra nota 10 dadas muitas vezes com pouco ou nenhum critério de isonomia, ou negadas por excesso de rigor. Exemplo maior de beleza, de graça e emoção será visto no espetáculo da dança dos mestres-sala e porta-bandeiras. No momento em que alguns casais amadurecem, outros dão grande sinal da evolução de sua arte. Outros, e não são poucos, estão prontos para encantar platéias e arquibancadas. Dentre estes, optei por tomar como exemplo dois casais, em razão dos resultados oficiais dos carnavais recentes e dos troféus recebidos de toda imprensa carnavalesca que os colocam no apogeu de seus desempenhos. Dos casais, peço desculpas e permissão a Claudinho e Bira para concentrar os holofotes nas duas portadoras das bandeiras da Tijuca e da Beija-Flor. Selminha Sorriso e Lucinha Nobre vivem o grande momento de suas carreiras, tal como Vilma da Portela, o Cisne, e Neide da Mangueira viveram um dia. Farão o grande momento de encantamento deste carnaval, rainhas que são, verdadeiras rainhas, sim, de suas escolas. Os deuses do carnaval quiseram assim. Os mesmos deuses que através de décimos puniram uma aqui, outra ali, fizeram com que ambas cheguem iluminadas diante de todos nós, contando, para tanto, também, com o belo momento vivido por suas agremiações. Tão bonito e tão grande quanto o respeito que uma tem pela outra será o supremo esforço e suprema aplicação que cada uma dedicará para que sua escola triunfe. Daí desse esforço, desse respeito, dessa dedicação, os deuses do carnaval colherão elementos para fazer uma delas se destacar individualmente e superar a outra em graça, em beleza, em soberania. Independentemente da pontuação, maior ou menor, de uma e de outra, os deuses do carnaval guardarão em segredo qual das duas mais os encantaram, mais os enlevaram a ponto de elegerem, somente para eles, sua verdadeira e única rainha do carnaval, deste o carnaval de 2008...afinal 2009 será ooooutra história. Os humanos, que erram, as julgarão. Poderão até fazê-las empatar em notas ou serem injustos no julgamento, mas os deuses do carnaval não; eles não erram...não erram e não gostam de empate.
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