14/7/2008 18:16:00

Artigo: Um domingo na Feira das Yabás

Luis Carlos Magalhães conta como acontece o mais novo evento social, cultural e gastronômico do mundo do samba

Luis Carlos Magalhães
(Colunista do Dia na Folia)



Cheguei na feira na hora errada....
Sol quente e o pessoal chegando...

Dei uma volta geral no cardápio. É...o cardápio da feira é ao vivo, a cores e a pé. A gente fica rodando, de barraca em barraca, vendo o jeitão, sentindo cheirinho...e escolhe.

Fui num peixinho frito, com molho de camarão. Depois me arrependi, não que não estivesse gostoso, nada disso, é que não tinha visto a feijoada de camarão na barraca da Tia Neide da Velha Guarda.Ou teria sido melhor um mocotó na barraca da Tia Romana, da Serrinha?

Mas tinha sardinha frita, na mesma barraca que tinha caldinhos só de peixe. Eu já tinha ouvido falar que a família de seu Manacéa tinha comprado - comprado e feito - 43 kg de rabada. Resolvi então deixar p’ro final.

Marquinhos de Oswaldo Cruz havia chegado um pouco antes de um show na véspera no SESC-Pompéia em São Paulo deixando lá Monarco e Surica. Mas cantou muito.

Na dúvida resolvi ir até a barraca da rabada e perguntei a D. Nenén e à Áurea, da Velha Guarda, se eu corria risco de ficar sem rabada...se ia acabar. Eram 17h, a feira não havia nem bem esquentado e já não tinha mais nada de rabada, só peguei a “rapa”.

Assim é a feira: tiro certo. Esta foi o terceiro domingo, fico imaginando lá para dezembro, janeiro como vai ser aquilo.

É uma festa portelense, aliás como todas que Marquinhos inventa. Assim é o Pagode do Trem, assim é a Feijoada da Família Portelense, assim a Feira das Yabás.

É aquela coisa ali, tranqüila, bem bantu, todo mundo ali sentado nas mesas ou sambando no meio da rua, passeando, todos parecem ter a mais absoluta certeza que nada de ruim, de briga, vai sair ali.

Feliz a escola que tem um Monarco para preservar e cuidar de suas tradições. Feliz a escola que tem um Marquinhos para seguir o mesmo caminho.

A direção do evento dá a barraca, as mesas, as cadeira e parte dos ingredientes. E dá a música, o resto é com o povo.

Havia barraca da Mangueira, do Império, e de outras escolas, mas nenhuma representando sua escola. Cada barraca representa uma tia daquela escola, uma comida e não uma bandeira.

A bandeira é uma só.

E assim avança a tarde.

E veio a atração do domingo, As meninas do Jongo da Serrinha. Dei uma olhada em volta e a Praça Paulo da Portela estava repleta. Quase todas as pessoas na rua. Em plena Lei Seca, não precisei nem tomar nada.

Fiquei ali, já quase escurecendo ouvindo o Jongo. Olhei as mangueiras que são muitas ali, todas testemunhas de uma história tão bonita daquele lugar, todas com incontáveis mangas.

Ao olhar as mangueiras via as pipas no alto, incontáveis naquele céu suburbano. E um avião muito mais acima parecendo riscar entre elas. E o Jongo ali.

Lembrei de Parintins, lembrei das incontáveis festas juninas por todo o Brasil. Olhei as pipas, os “cruzas”, ouvi o Jongo.

E me senti forte. Com todas as ameaças culturais nosso povo estava em toda parte mostrando que é assim que somos, e que ninguém vai conseguir nos fazer ser diferente.

A noite de domingo chegou e fui embora. Na próxima feira vou chegar na hora certa.

Marquinhos programou uma homenagem a Monarco e a Candeia

Uma festa portelense...

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'Vou cair na gandaia', (Viradouro, 97)


 



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