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Artigo: Xangô da Mangueira, o velho (e eterno) companheiro Luis Carlos Magalhães
Nenhum Portelense de nossos dias poderá esquecer Clara Nunes. Nenhum de nós poderá esquecer; seu traje branco, suas guias, rodopiando em torno de sua própria e imensa luz, cantando: Quando vim de Minas Ali uma clara mineira cantava um Xangô que nunca viera de Minas. Velhas Companheiras, Portela e Mangueira, juntas mais uma de tantas vezes, honra e glória do samba brasileiro: A Majestade e o Jacarandá, alicerces de uma cultura e de uma história que fizeram a marca de um povo, marca de todos nós. Antes, para os poucos que viram, Xangô fez dupla com Clementina de Jesus no Projeto Pixinguinha: novamente Velhas Companheiras. Que coisa maravilhosa que dois dos mais fiéis representantes da ancestralidade do samba tivessem na Portela, em Oswaldo Cruz, a estação da luz que os conduziria à Mangueira. Eles que se tornaram marca viva da Estação Primeira. Pobre de nós Portelenses que a perdemos para o Albino Pé Grande, que a levou para lá. Por amor... a gente até aceita... Pobre de nós Portelenses que o perdemos anos antes ...e não por amor.
Como sabemos Paulo se foi um dia, para nossa tristeza hoje; para tristeza dele, infinitamente maior, como nenhum Portelense poderá avaliar com precisão. A cada um, o seu caminho: Paulo para a Lira do Amor, Xangô para a Mangueira conduzido e recomendado pelo próprio Paulo que o apresentou a Cartola. Um novo e imenso amor que surgia p’ra um, um velho e imenso amor cortado, ferido ... inesquecido até morrer. Pobre de nós que perdemos Paulo e Xangô nos mesmos dias. Feliz de você, Velha Companheira, que ganhou de nós duas glórias do samba. Que Escola é essa que teve Xangô por diretor de harmonia por mais de cinqüenta anos? Que Escola é esta que teve Xangô a cantar seus sambas de carnaval para depois passar tão honrada tarefa para um jovem cantor, mais brilhante que ele nesse mister?: Como gostaria de acreditar que Xangô e Jamelão se reecontrarão agora, de alguma forma ...em algum lugar... Sou eu o diretor de harmonia Estes os versos de seu parceiro Jorge Zagaia que como nenhum outro tão bem o definem. E é também de Zagaia, desta vez em parceria com Xangô, o samba que mais me encanta, e com o qual quero ter sempre sua presença na memória: Eu encontrei no carnaval que passou Mas isto é para mim. Para as futuras gerações de sambistas o mais importante é saber que tal divergência jamais seria capaz de trazer atropelos a seu coração. Muito pelo contrário, seria uma dádiva, uma benção a aplacar tão doce coração. E para tanto ouso entrar nessa parceria, alterando seus versos finais: A minha grande alegria com ela
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