Rio - O Carnaval começou no Aeroporto Tom Jobim para as dançarinas do cabaré francês Moulin Rouge. Elas desembarcaram ontem às 18h e foram recepcionadas por passistas e ritmistas da Acadêmicos do Grande Rio, onde vão desfilar. Surpresas, as meninas caíram no gingado e tentaram acompanhar o samba-enredo, que homenageia o Ano da França no Brasil. “Temos dificuldades com o samba, mas é divertido”, disse Caroline Renno, uma das 26 bailarinas e vedete do grupo, que tem ainda seis dançarinos e dois acrobatas.
No saguão, as dançarinas abriram logo um sorriso ao verem as passistas emplumadas e ouvirem a batida forte do surdo. Abandonaram as bolsas e malas para sambar e tirar fotos. Elas ficaram surpresas ao saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá assistir à Grande Rio e poderá ficar no mesmo hotel que elas, o Sofitel, em Copacabana, onde ele costuma se hospedar na cidade.
“Adoraríamos poder conhecer o presidente. Eu não conhecia nenhum presidente brasileiro antes de Lula. Mas ele se tornou uma referência e é muito admirado na França”, disse a relações-públicas do Moulin Rouge, Fanny Rabasse.
O grupo fica no Rio até dia 28, mas não participará do Desfile das Campeãs, caso a Grande Rio fique entre as seis primeiras. Hoje, elas darão entrevista coletiva e, às 15h, fazem ensaio fechado no carro alegórico onde vão desfilar, na Cidade do Samba. A quinta alegoria homeageia o cabaré parisiense. As bailarinas entrarão na Sapucaí ao lado da brasileira Watusi, uma das estrelas da casa entre 1978 e 1982.
A alegoria também trará cerca de 30 passistas cariocas, todas com os seios de fora, que ficarão na parte de trás. “O espetáculo do Moulin Rouge é muito sensual, mas nesse quesito ninguém vence as brasileiras”, brinca o carnavalesco Cahê Rodrigues. À frente do carro, uma ala com 100 meninas de Caxias também vai dançar cancã, com coreografia que vem sendo ensaiada há um mês.
Esta é a primeira vez na História que o Moulin Rouge se apresenta em outro país de graça, já que a escola não pagará cachê nem bancou a viagem e hospedagem dos 32 dançarinos.
Ontem, o prefeito Eduardo Paes vistoriou o Sambódromo e acabou tocando agogô com a bateria do Império Serrano. Hoje, ele entrega a chave da cidade ao Rei Momo e abre oficialmente o Carnaval.
HOMENAGEM ATRASADA À SAPUCAÍ
Na busca por patrocínio, a Grande Rio esnobou até mesmo a matemática ao confirmar, ontem, seu enredo para o ano que vem. A escola vai homenagear os 25 anos do Sambódromo, completados em 2009. A Passarela do Samba foi inaugurada em 1984, já com o seu primeiro desfile — vencido pela Mangueira. Ou seja, para valer, a festa deveria ter sido feita em 2008, data do 25ª desfile na Avenida.
O presidente da agremiação, Helinho, desmentiu a assessoria da Brahma, que havia dito que o enredo da escola seria sobre os 20 anos do camarote da empresa na Sapucaí: “Vamos realmente homenagear o camarote da Brahma, que faz parte da história do Sambódromo, mas o enredo não é sobre isso. Vamos fazer o público reviver os momentos mais marcantes deste palco da folia, inclusive os tristes”. Helinho, porém, confirmou que a empresa vai patrocinar o enredo, sem divulgar o valor. O carnavalesco Cahê Rodrigues, que estréia este ano na escola, também foi confirmado no posto para o ano que vem. “O dinheiro facilita, mas eu já fiz carnavais com menos de R$ 3 milhões e deu certo, depende da criatividade”, disse Cahê.
Colaboraram Natalia von Korsch e Raphael Azevedo