23/02/2009 01:19:00

Blocos do Rio ficam cada vez mais fortes e faturam com shows o ano todo

Julio Biar e Sara Paixão

Rio - Com o status de arrastar milhares de foliões pelas ruas do Rio, os blocos seguem o caminho das escolas de samba e começam a se profissionalizar. Hoje, produzem camisetas e ganham cachê em bandas que fazem ensaios e bailes até fora do estado. Estaria a folia gratuita ameaçada.

O Cordão da Bola Preta, que atrai em média 500 mil foliões, no desfile de sábado optou por proteger quatro mil deles em uma corda, cujo acesso era a camisa oficial. O ‘abadá’ foi vendido por R$ 15 na loja Dimona, na Saara. “É uma forma de gerar renda para o bloco. Queremos pagar nossos credores e construir uma sede na Rua do Lavradio, na Lapa”, diz o presidente Pedro Ernesto.

Outros organizadores engrossam o coro. “Não dá para viver do Simpatia É Quase Amor, a bateria faz shows para botarmos o bloco na rua. O patrocínio não cobre todos os custos, como o carro de som, que precisa melhorar a cada ano”, conta o diretor do Simpatia, Henrique Brandão. O bloco tem se apresentado em festas fechadas e casas noturnas — hoje, anima a noite no Lapa 40º.

“Virar empresa não significa necessariamente gerar receita, e sim, ter estrutura para sair”, afirma Léo Mesquita, um dos fundadores do Empolga às 9. O bloco, que sai no Carnaval com bateria de 40 ritmistas, lucra ao longo do ano com os shows de sua banda, formada por 12 músicos. Graças ao modelo-exportação, animaram o Carnaval de Ouro Preto, em Minas, sábado, e amanhã fazem show também no Lapa 40°. A banda segue os passos do Monobloco, que nasceu em 2000 e hoje faz média de oito shows por mês, até fora do País. Liderado por Pedro Luis, o grupo — que sai domingo que vem— neste Carnaval dividiu-se em apresentações na Fundição Progresso, Brasília e Arraial D’Ajuda.

O samba só atravessa quando a folia carioca é comparada à festa baiana. “Garanto que não vai acontecer no Simpatia. Em Salvador, o abadá custa o mesmo que uma fantasia de escola de samba”. O presidente do Bola diz que a corda que distinguiu os foliões não representa a ‘baianização’ do tradicional símbolo do Carnaval de rua carioca. “Já em sua criação, o Bola desfilava com foliões dentro da corda. Estamos revivendo nossa trajetória, o ‘abadá’ veio bem depois”, afirma Pedro Ernesto. Para quem não gostou da ‘novidade’, amanhã o Bola sai sem corda, às 14h, na Lapa.

Roberto Carlos inspira bloco

Os blocos este ano se multiplicam: segundo a Prefeitura, são 210, desde super-agremiações a pequenas reuniões de amigos. Este ano, até Roberto Carlos ganhou um bloco para chamar de seu, o Exalta Rei. Organizado à boca pequena, tem desfile previsto para começar às 17h e vai percorrer as avenidas João Luiz Alves e Portugal, na Urca, seguindo até a porta do prédio do Rei.

O homenageado não deve aparecer na varanda, já que a previsão é que passe o Carnaval velejando. A orientação é que os fãs usem fantasias inspiradas nas músicas do cantor ou nas cores azul e branca. Marrom, nem pensar!

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