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Choro pelo Holocausto Viradouro muda alegoria que representaria extermínio dos judeus na Segunda Guerra e traria Hitler, devido à decisão judicial que proibiu o carro. Escola vai abordar liberdade de expressão Rio - A Viradouro entrará na Avenida sem o polêmico carro do Holocausto. A decisão foi tomada depois que a Federação Israelita do Rio conseguiu liminar da Justiça impedindo a utilização da alegoria no desfile. A entidade, que tentava por meio do diálogo demover a escola da idéia de representar o extermínio dos judeus na Segunda Guerra, mudou de idéia depois que soube através de O DIA que o carro teria representação do ditador nazista Adolf Hitler como destaque, em cima da pilha de corpos nus e esqueléticos. A decisão levou o carnavalesco Paulo Barros às lágrimas. O carro, que custou R$ 400 mil, foi desmontado ontem. No lugar da alegoria, outra fará uma crítica velada à decisão da Justiça, abordando o tema da execução do direito de expressão. “Não digo que foi uma censura, mas a nossa intenção foi cerceada, de certa forma”, afirmou o presidente da Viradouro, Marco Lira. Ele não adianta como será o novo carro, mas informa que abordará limitações da expressão somente no Brasil. “O direito de expressão que nós vamos retratar vai ser focado diretamente no nosso povo”, resume. Lira sugere que a alegoria deve tratar de temas como violência, ditadura e escravidão. O presidente da escola disse que não faria nenhum tipo de apelação para derrubar a liminar. A decisão da juíza Juliana Kalichsztein indica que “nenhuma ferramenta de culto ao ódio” deve ser usada. O advogado da federação, Ricardo Brajterman, alegou “vilipêndio do sentimento religioso” para barrar a alegoria. “A federação queria que o carro viesse com uma faixa: Holocausto nunca mais, mas eles não aceitaram”. O presidente da federação, Sérgio Niskier, que já havia manifestado preocupação com o carro, como noticiou O DIA no dia 18, aplaudiu a decisão: “Colocar um homem fantasiado de Hitler no alto do carro seria abuso ainda maior”. COMEÇAR DO ZERO A 72 horas do Carnaval, a Viradouro terá de começar do zero um novo carro. Paulo Barros disse que amanhã a alegoria estará pronta. Se o setor do Holocausto não fosse substituído, a Viradouro teria sete carros. O mínimo exigido pela Liga Independente das Escolas de Samba é cinco. O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, diz que a substituição da alegoria não prejudica a escola. “Basta que a escola envie, antes do desfile, errata para encaminharmos aos julgadores”, explicou. Barros contou que pretendia levar um Hitler arrependido para a Avenida. “O Corintho, que desfilaria no carro representando Hitler, ia fazer uma interpretação de culpa”, disse, referindo-se ao empresário Corintho Rodrigues. Israel condenou a alegoria O governo israelense, através de sua embaixada, também se posicionou de forma contrária à exibição de alegoria sobre Holocausto na Avenida. Segundo o primeiro-secretário, Rafael Singer, o tema não se restringe à comunidade judaica, mas à Humanidade, e o Carnaval não é data adequada para a reflexão. “Achamos importante o tema do Holocausto ser tocado em qualquer lugar, mas misturar com Carnaval é inadequado”, afirmou. JORNAIS NOTICIAM A POLÊMICA A polêmica do carro alegórico da Viradouro ganhou o noticiário de diversos jornais do mundo. Assim que a Justiça se pronunciou contra o carro, o diário ‘The Jerusalem Post’ estampou a notícia da liminar expedida pela juíza Juliana Kalichsztein em seu site. Ainda em Israel, o ‘Haaretz’ também divulgou a decisão. A notícia é acompanhada de uma grande foto da escultura dos corpos nus e esqueléticos que deveriam compor o carro. “Não haverá nenhuma pilha de corpos despidos e mutilados, e nenhum Hitler dançando, no maior Carnaval do mundo”, diz matéria do ‘Herald Review’, de Illinois, nos EUA. A rede de TV britânica BBC também deu destaque para a reação da Federação Israelita depois que o grupo soube que representação de Adolf Hitler seria destaque em cima da alegoria. 5 MINUTOS: ‘ESTÁ MAIS PARA GLORIFICAÇÃO DO NAZISMO’ 1— Como o senhor recebeu a notícia de que uma escola de samba do Rio iria levar para a Avenida imagens que faziam referência ao Holocausto? SERGIO WIDDER, representante do Centro Simon Wiesenthal na América Latina Reportagens de Flávia Salme, Josie Jerônimo, Mahomed Saigg, Rafael Cavalcanti e Pedro Moraes
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