15/11/2008 22:45:00

Confira as justificativas dos jurados que avaliaram os sambas do Grupo Especial

Confira as justificativas das notas de Luis Carlos Magalhães:

Foto: Banco de imagensImpério Serrano: 10. Um samba incomparavelmente mais leve, mais solto que todos os outros. Mesmo não constando entre as dez mais da escola, é bom de cantar e melhor ainda para dançar. Sem ‘caroço’, sem as ‘ soluções-marchadinhas-rapidinhas’ tão presentes nos últimos. Samba ao gosto tanto de Eneida quanto de Mart’nália. Passeia pelo enredo, só passeia: sem a obrigatoriedade de tocar em todos os pontos da sinopse: daí sua leveza?  Perderá ponto por isto? Servirá, portanto, para clarear se existe tal imposição, ou orientação aos jurados. Tomara que os ‘da antiga’ que desfilarem convençam o mestre Atila a segurar só um pouquinho...não é muito , não.
 
Beija-Flor: 9.9. Samba cadenciado com eficiente e não exagerada abordagem da sinopse, sem aprisionamento do compositor. Muito bom de dançar e de cantar, próprio para embalar um passeio dos componentes pela avenida..
 
Portela: 9.9. Samba que vai ‘acontecer’ no desfile. Tanto para os portelenses, por sua exaltação à escola, quanto para o público. Também bom de cantar e dançar ainda que com presença da tal ‘solução-marchadinha-rapidinha’ no trecho inicial da segunda parte, ainda que suave (ce-nas-de-ci-ne-ma). A gravação corrigiu seu pior momento, no trecho “...as fantasias do muni-ci-pal’’.
 
Salgueiro: 9.9: samba que ‘entrou’ bem cantado no disco, mesmo com os excessos de caco, insuportáveis para mim. Vai servir muito bem ao que se propõe, embora com uma melodia que me soa conhecida. Exceto quanto ao do Império, ladeia com a Portela entre os mais cantáveis. Ah! Se fosse um pouquinho menos marcheado ...só um pouquinho. E salve o mestre do Salgueiro...
 
Mangueira: 9.8. O samba tem um dos mais belos trechos do ano a partir de “...tantos brasis” até “(..) abraço meu irmão”. A palavra ‘miscigenação’ é que está difícil de entrar ali na segunda frase. Durante a disputa percebi que o enredo vem sendo mal interpretado fora da escola. A obra de Darcy Ribeiro não trata dos ‘fundadores’ do Brasil: o negro, o índio e o branco. Trata dos ‘construtores’ do Brasil: seres mestiços que não são nem negros, nem índios e nem brancos. Uma raça nova com um imenso desafio de se constituir “povo brasileiro’ a partir de sua absoluta falta de identidade. Nesse sentido o samba contribuiu pouco para sanar o equívoco, embora a sinopse deixe claro. Só vai entrar mesmo no verdadeiro tema no meio da segunda parte.Aqui não importa quem nos formou e sim quem somos nós...Ou como disse Darcy: UMA NOVA ROMA MESTIÇA, LAVADA EM SANGUE NEGRO E SANGUE INDIO. E salve o mestre do Brasil.
 
Unidos da Tijuca: 9.8. Samba irregular como tantos já vistos, sem unidade. Uma boa, forte e bonita primeira parte, ótimo primeiro refrão. A segunda parte tem o miolo com melodia  sem a mesma força e um refrão final com melodia previsível..

Grande Rio: 9.7. A segunda parte deixa longe a parte primeira, dá a impressão de dois sambas emendados. A primeira usa a tal escadinha melódica, a abominável ‘solução-marchadinha-rapidinha’ na frase ”na-ve-gan-do- não ima-gi-na-va encontrar...’. E abusa de tal solução no primeiro refrão. Uma pena, uma ótima segunda, tão boa que vai sustentar o desfile.
 
Porto da Pedra: 9.6. Um samba com unidade, redondo, Não chega a chamar para a dança nem para o canto. Servirá perfeitamente para o enredo e para o desfile. Nada mais.
 
Imperatriz: 9.5. A escola repetiu a dose de falar de si própria por uma feliz coincidência: as datas redondas da família real e de sua fundação. Desta vez não foi tão feliz como antes. É o mais bonito refrão do ano. Boa letra, segunda parte boa. . P primeira parte com melodia de rumo indefinido e segundo refrão óbvio, marchadinho, rapidinho. Temo que o trecho de Mar-tin-Ce-re-rê fique difícil de cantar.
 
Viradouro: 9.5. Samba também irregular. Primeira parte e os dois refrões maculados por uma segunda parte difícil de cantar, difícil de dançar. Cada verso em direção diferente.
 
Mocidade: 9.5. Deixa a impressão de dois enredos. Irregular como tantos. Poderá crescer até lá. Crescerá? Segunda parte (ou segundo enredo?) muito melhor. Teria sido melhor ...”um pássaro na mão..?.”
 
Vila Isabel: 9.5. Um samba forte com tem sido os da Vila ( ...segura a Vila ...). Exceto quanto ao segundo refrão, não se pode dizer que seja um samba bom para cantar e bom para dançar. Bela frase: “Girar...no sonho de uma bailarina (...), depois desliza.

 

Confira as justificativas das notas de Bruno Filippo:

Foto: Banco de imagensAconteceu fato curioso na disputa de samba deste ano. Em pelo menos cinco escolas  podiam-se apreciar sambas que, se fossem escolhidos, fariam da safra de 2009 a melhor da década. Isso não significa que os escolhidos sejam ruins; mas significa que havia melhores. Como estes foram preteridos, o CD que chega às lojas é o pior dos últimos anos, no qual sobressai um samba de 33 anos que, à época, nada tinha de excepcional.        
 
Beija-Flor (9,7) – A escolha do samba de Tom Tom, Marcelo Guimarães, Lopita, Jorge Augusto e Veni Vieira marca uma tentativa de mudança no estilo de samba-enredo com que a escola de Nilópolis vinha desfilando nos últimos dez anos.  É uma tentativa porque o samba alterna momentos em que visa à empolgação – como nos dois refrãos, principalmente o segundo – com momentos que se assemelham à sua já tradicional cadência em tom menor, acentuada por Neguinho em quase toda a gravação. A letra tem o senão da frase “o banho foi excomungado”, uma expressão que poderia ser evitada; mas, de resto, dá conta de um tema tão abrangente. Embora soe irregular, é uma obra de qualidade.     
 
Mangueira (9,2) – É difícil fazer um samba sem a repetição de velhos clichês quando o enredo que o baseia é, ele próprio, uma simplificação repleta de clichês da obra de Darcy Ribeiro. Isso resulta numa letra sem criatividade, à qual se junta, para compensar suas fraquezas, uma melodia puxada para cima, forte nos refrãos, numa tentativa de injetar-lhe força e vibração. 
 
Porto da Pedra (9,4) – O samba é um desafio aos compositores, dada a abrangência proposta pela sinopse. O resultado é uma obra mediana, sem grandes pretensões, correta na letra e boa na melodia.
 
Império Serrano (10) – Mesmo não sendo um dos melhores do belíssimo repertório do Império Serrano, este samba de 1976, agora reeditado, torna-se incomparável às obras que o secundam no CD.  Sua presença destoa, destaca-o, eleva-o a um patamar em que os outros sambas não estão. É o único que merece nota máxima. O que ontem era apenas mediano é excepcional hoje. Há quem não concorde com as reedições; mas sua maior virtude é fazer pensar nos caminhos que o samba-enredo está trilhando.  
 
Salgueiro (9,3) – A escola optou por, mais uma vez, apostar num samba de empolgação. A gravação e a interpretação do Quinho realçam esse aspecto. A melodia, em vários momentos, assemelha-se à do samba de 2005, composto pela mesma parceria. A letra é muito objetiva, sem descer aos meandros do enredo; no entanto, os autores abusaram de um recurso estilístico que a empobreceu: as reticências. São 20 reticências em 28 versos! Isso torna difícil, quase telegráfico, o encadeamento lógico da mensagem proposta pela letra. Como o julgamento do quesito samba-enredo divide-se em letra e melodia, não se deve negligenciar esse problema.    
 
Grande Rio (9,5) - É um estilo de samba que a escola vem apresentando nos últimos carnavais: letra descritiva e melodia correta. Destaque para a variação na melodia neste trecho: “De um ‘passo’, fiz um traço no compasso da paixão/É o vôo da evolução”. 
 
Portela (9,4) – O samba da parceria de Diogo Nogueira encontra o ponto alto na parte final, quando o amor anda pela Portela: “São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar / Se eu for falar da Portela/Hoje eu não vou terminar/Lá vem minha paixão!/O azul que faz pulsar meu coração”. No entanto, a primeira parte da letra é por demais objetiva em se tratando de um tema que permite mais elaboração poética. A melodia também não traz nada de novidade. Um samba mediano.
 
Unidos da Tijuca (9,6) – À primeira audição, pode passar despercebido; mas, à medida que ouvimos este samba, mais gostamos dele, talvez pela despretensão. Melodia simples e bonita, letra criativa que explora um tema demasiado genérico, é uma das boas surpresas do CD deste ano.
 
Imperatriz (9,3) – Nos quatro primeiros versos, nota-se que letra e melodia não estão casando. Há problema de métrica. Isso obriga o cantor Paulinho Mocidade a encurtar as sílabas, pois estas não se encaixam perfeitamente nas notas. A letra é simples e descreve bem o enredo, sem lustro. O ponto alto é o segundo refrão.
 
Viradouro (9,3) – A boa melodia e os refrões jogam o samba para cima, fazendo-o parecer-se com os sambas que a Viradouro apresentou no decênio de Dominguinhos e Gustavo Clarão.  O problema é a letra que, em certos trechos, não consegue transmitir com clareza o que o enredo pretende montar.
 
Mocidade (9,3) – De um enredo sobre Machado de Assis e Guimarães Rosa esperava-se mais esmero na letra. Não é isso que se observa na composição de Jefinho, Santana, Ricardo Simpatia, Marquinho Índio e Diego Rodrigues. Não que a letra não seja correta; mas o problema é que a expectativa gerada está além do que a Mocidade oferece. Faltam imagens poéticas mais ricas, falta um quê a mais – deficiência que a boa melodia às vezes consegue compensar.  
 
Vila Isabel (8,5) - Como pôde André Diniz, que já nos deu um grande samba como o de 94, fazer uma obra tão aquém de sua capacidade criativa? É o samba mais fraco de sua impressionante e polêmica seqüência de vitórias. Letra e melodia pobres, previsíveis. Como pôde ele fazer trocadilhos como “Vi lá...” e “Com Aída” ? Como pôde ele tentar refazer, mas desta vez completamente fora do contexto, um jogo semântico com a dupla sonoridade da palavra “sede”, recurso fora apresentado, com brilhantismo, em “Kizomba”?   


Confira os comentários de Ricardo Cravo Albin sobre os sambas:

Foto: Banco de imagensBeija-Flor - 9,5. "Devemos a recuperação de Neguinho, a quem considero o substituto legítimo de Jamelão. Típico samba da Beija-Flor"

Salgueiro - 9,0. "O tema é auto-referente à história de brilho da escola. Funciona, na simplicidade e na correção, no despojamento da letra".

Grande Rio - 9,0. "O ano da França no Brasil em 2009 vai permitir um grande painel do Rio francês à Sapucaí. Isso poderá tornar o desfile da escola ainda mais belo"

Portela: 9,5. "Um samba de qualidade, onde há belas tiradas e com um refrão auto-referente que pode virar um clássico no futuro. Devemos saudar a consolidação de Diogo Nogueira na escola. Filho de peixe, peixinho é"

Unidos da Tijuca: 9,5. "Com um enredo hermético, essa odisséia sobre o espaço da simpática Unidos da Tijuca pode ir elasticamente das lendas do passado alado à guerra nas estrelas. Fato a observar-se a raridade de apenas dois compositores no samba".

Imperatriz: 8,0. "Com um enredo autobiográfico, a escola reitera sua costumeira modéstia no samba-enredo dos últimos anos. Mas Paulinho da Mocidade é um intérprete de qualidade e deve levantar o certamente belo espetáculo a ser apresentado por Rosa Magalhães"

Viradouro: 9,0. "Não importa que a Bahia, suas fontes e sua negritude sejam temas batidos. É um tema que sempre rende um bom caldo. A Viradouro tem talvez a melhor letra do ano".

Vila Isabel: 9,0. "A querida escola da terra dos bambas este ano apresenta um enredo claro e muito bem definido. Distante, portanto, do disperso "Trabalhadores do Brasil", de 2008. A Vila deve emplacar mais um belo desfile com este samba categorizado"

Mocidade: 8,0. "A Mocidade fica a dever o resgate de seus grandes carnavais dos anos 80 e 90. O samba não está à altura dos escritores homenageados"

Mangueira: 9,0. "Quero observar a introdução de Alcione, emocionante no 1º ano sem o grande Jamelão. Deve-se registrar também a volta de compositores que nada tem a ver com o tráfico de drogas no morro da Mangueira".

Porto da Pedra: 8,0. "O enredo é pouco claro e permite duplas interpretações. O tema fala de pintura e de futuro. Qual será o verdadeiro enredo da escola?"

Império Serrano: 10. "Um samba hours concours. O Império é a única escola que apresenta um samba enredo consagrado. Concurso é concurso e só se deveria  medir, julgar e dar notas a sambas inéditos. No mínimo, seria uma burrice ou uma inconseqüencia dar menos de 10 um samba consagrado como este".


Confira as justificativas das notas de Leci Brandão:

Foto: Banco de imagensImpério Serrano: 10. "É um samba pequeno, simples, mas que tem uma força muito grande. "Nem cabe explicação"

Beija-Flor: 10. "Vejo a escola todinha na Avenida com esse samba. O refrão principal vai arrastar o povo"

Mangueira: 10. O refrão principal tem duas belas sacadas pois ao mesmo tempo homenageia o Jamelão e cita um clássico feito por Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carnaval para a escola, que é "Sei Lá, Mangueira"

Porto da Pedra: 9.9. "Gosto da melodia do refrão principal"

Salgueiro: 9.9. "Esse enredo sobre tambor merecia um samba com uma melodia mais valente. O verso "Salve o mestre do Salgueiro" é excelente"

Grande Rio: 9.7. "A letra está confusa. Na parte que fala da cidade de São Sebastião parece que está falando do santo, e não da cidade"

Portela: 10. A participação do Diogo Nogueira e do Ciraninho dá peso ao samba. Eles são a nova geração do samba. A Portela não vence há muito tempo e esse samba pode ajudar a escola. O refrão principal é um achado"

Unidos da Tijuca: 9.8. "O enredo não ajuda a escola. Já foi muito explorado"

Imperatriz: 10. "Tem uma melodia diferente de todos os sambas. É um grande enredo esse de 2009. Fala do Cacique de Ramos, de Arlindo Rodrigues e de outras personalidades da escola. A letra é ótima. A Rosa Magalhães tem uma grande obra para embalar o seu desfile"

Viradouro: 10. "O enredo é bom. Pode parecer clichê, mas falar de Bahia é sempre importante. O refrão do meio é ótimo"

Mocidade: 9.5. "Não fez minha cabeça. A melodia é bonita, mas não me cativou muito"

Vila Isabel: 9,7. "Meu problema é com a melodia desse samba. A marca da Vila é ter grandes sambas. Queria uma coisa melhor"


* Noca da Portela preferiu fazer comentários pontuais dos sambas. Os mesmos estão na matéria principal da avaliação dos sambas
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'Braguinha' (Mangueira, 84)

'Kizomba' (Vila Isabel, 88)

'Liberdade, liberdade' (Imperatriz, 89)

'Ratos e Urubus'
(Beija-Flor, 89)

'Vira, Virou...a Mocidade chegou' (Mocidade, 90)

'Vou cair na gandaia', (Viradouro, 97)


 



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