18/02/2009 01:12:00

Destaque na Grande Rio, Moulin Rouge chega nesta 5ª ao Rio com 26 dançarinas

Marcelo Torres


Rio - O moinho mais famoso do mundo vai girar e virar a cabeça de muita gente no Domingo de Carnaval. Quando a Grande Rio pisar na Avenida, suas mulatas vão dividir as atenções com 26 dançarinas do Moulin Rouge, o histórico cabaré de Paris que será um dos destaques do desfile da Tricolor de Caxias, como O DIA noticiou em julho.

O GLAMOUR DO MOULIN ROUGE EM EM FOTOS. CONFIRA

A principal atração na homenagem à França, no entanto, não tem só francesas entre as beldades: se o mundo é um moinho, como dizia Cartola, o Moulin na Sapucaí será uma Torre de Babel com artistas também da Austrália, Inglaterra, Cuba, Suécia, Alemanha, Dinamarca, Noruega, Sérvia e África do Sul.

Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

“Só faltou ter brasileira. Infelizmente não temos ninguém do Brasil”, diz a relações-públicas da casa de espetáculos, Fanny Rabasse. E, como cabaré não é mesmo lugar para santo, as da casa não fazem milagre: das três dançarinas com título de vedete do Moinho Vermelho, nenhuma é francesa. As estrelas da companhia são uma inglesa, uma australiana e uma ucraniana.

A primeira estará na trupe que chega no fim da tarde de amanhã ao Rio. É Caroline Renno, 27 anos e 1,75 m. “Estou muito nervosa por me apresentar para tanta gente. Acho que vai ser uma experiência única, que vou viver só uma vez na vida”. As outras duas foram obrigadas a ficar para se apresentar na casa do Boulevard de Clichy, afinal Paris também é uma festa e o show tem que continuar.

ESCOLHA DIFÍCIL

A escolha dos artistas que vêm para o Carnaval não teve final feliz para a maioria. Segundo Fanny Rabasse, todos os 100 contratados queriam vir: “A chefe do corpo de baile teve muita dificuldade para selecionar os dançarinos (seis do grupo são homens). Optou por aqueles que dançam melhor o cancã francês, que têm mais espírito de equipe e que sejam capazes de se apresentar por 35 minutos no calor do Rio. Normalmente eles dançam durante seis minutos, e já é exaustivo!”.

Grupo de dançarinas que desfilará na Grande Rio ensaia em Paris para agüentar apresentação de 35 minutos no calor. Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Sapucaí, as dançarinas ficarão de pernas pro ar, como pede o típico cancã francês. Mas vão suar um bocado. No Rio, a agenda das bailarinas inclui ensaios para o desfile e para a apresentação no baile do Hotel Sofitel, dia 27, e presença de algumas delas no encontro previsto entre o prefeito Eduardo Paes e 16 empresários franceses que patrocinam a Grande Rio, sexta-feira. Segundo Fanny, todas estão loucas para conhecer o Rio. “Queremos levá-las ao Pão de Açúcar, ao Corcovado e a uma churrascaria. Também planejamos uma surpresa. Elas precisam ter um tempo para passear e, claro, fazer compras!”.

ALTAS CIFRAS PARA SHOWS QUE FICAM 10 ANOS EM CARTAZ

Se não são gigantescos como os números que envolvem o desfile na Sapucaí, os do Moulin Rouge não ficam muito atrás. Aberto os 365 dias do ano, o cabaré apresenta dois shows por noite e recebe 1.600 pessoas. O custo de produção de um espetáculo, segundo Fanny Rabasse, é estratosférico: 9 milhões de euros, o equivalente a R$ 26,5 milhões.

A espantosa cifra é mais de três vezes maior que o gasto de uma escola luxuosa, em torno de R$ 8 milhões. Mas os espetáculos diferem como a cachaça do vinho: enquanto as agremiações exibem sua arte em pouco mais de 80 minutos, um show no Moulin Rouge dura nada menos que 10 anos. No cabaré, está em cartaz ‘Féerie’, concebido em 1999 e previsto para acabar em novembro de 2010.

Caroline, uma das três vedetes do Moulin Rouge, é inglesa. Entre as estrelas da casa não há nenhuma francesa: as outras são da Ucrânia e da Austrália. Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte dele será visto no Bal Masqué (baile de máscaras), do Hotel Sofitel: batizado de ‘A touch of Moulin Rouge (Um toque do Moulin Rouge)’ vai durar 45 minutos. Os preços vão de R$ 480 (avulso) a R$ 4,2 mil (frisa com oito lugares). Já o ingresso individual para a mesa sai por R$ 650. Só de bagagem para as apresentações foram embarcados 1,5 mil quilos.

“A vinda do Moulin Rouge é a cereja no bolo do meu trabalho”, diz Alexis de Vaulx, francês radicado no Rio que ajudou a obter o patrocínio de 16 empresas francesas para a Tricolor. O carnavalesco Cahê Rodrigues também festeja: “Quando pensei no enredo sobre o Ano da França no Brasil, quis homenagear o cabaré mais famoso do mundo”.

CANCÃ E SAMBA SEM PERDER

Em meio à tradicional coreografia do cancã, os bailarinos do Moulin Rouge vão misturar passos de samba na quinta alegoria do enredo ‘Voilà, Caxias! Para sempre liberté, egalité, fraternité. Merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!’ Os ensaios específicos para o desfile começaram segunda-feira, e a estrela Caroline Renno garante que não vai fazer feio.

“Eu adoro samba e me viro um pouco. Espero poder melhorar aí no Brasil. Em troca, posso ensinar passos de cancã às brasileiras”, diz a inglesa, que começou a dançar balé clássico aos 3 anos, passou pelo jazz moderno e outros estilos. Incentivada por amigos, Caroline fez teste para o Moulin Rouge em Londres e acabou aprovada. “Eu tinha medo, porque é uma disputa com dançarinas do mundo inteiro. Mas fui a escolhida”, vibra ela, que está no cabaré há três anos.

Assim como a vedete, o restante da trupe não tem muita idéia da dimensão do desfile. Sabem que é algo gigantesco, mas não o volume de dinheiro, gente e trabalho exigido. “Ainda temos que explicar os detalhes e mostrar o DVD da apresentação de 2008”, prevê Fanny Rabasse. “Já vi imagens do Carnaval brasileiro na televisão, como todo mundo, mas não sei muita coisa das escolas de samba”, admite Caroline.

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