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Festa com vaia e debandada Beija-Flor é hostilizada no Setor 1 durante o Desfile das Campeãs e profissionais deixam a Portela Josie Jeronimo Rio - O Desfile das Campeãs do Carnaval foi marcado por vaias para o bicampeonato da Beija-Flor e pela revoada de talentos da Portela, que ficou em quarto lugar. A Azul-e-Branca, que obteve o melhor resultado em 10 anos, perdeu porta-bandeira, puxador e carnavalesco. Diretor de Carnaval da agremiação de Nilópolis, Laíla voltou a discursar contra acusações de que a vitória do ano passado foi fraudada. Disse que no Carnaval do Rio não tem “maracutaia” e elogiou a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba). “Antes da Liga, o Carnaval era uma bagunça”, completou, abafado pelas vaias. A Beija-Flor fechou a apresentação em noite sem chuva. Neguinho abriu o esquenta da bateria com samba em homenagem a Anísio Abrahão David, preso ano passado pela Operação Furacão. Ele responde a processo em liberdade. “Anísio é simplicidade, amor e amizade”, dizia a letra. Orgulhoso, Anísio coordenou cada ala. Enquanto a Beija-Flor se une com a vitória, a Portela se desintegra apesar da volta ao Sábado das Campeãs. A crise começou com a saída da porta-bandeira Alessandra Bessa, que pediu demissão sexta-feira. No desfile, quem evoluiu foi o segundo casal, Kátia Paz e Jefferson. O puxador de samba Gilsinho desabafou: “A Portela é muito complicada. Tem muita gente mandando. Não vou ficar com esse monte de sujeito ruim. Quem sair será pelo mesmo motivo”. “Decidi que não quero mais ficar”, faz coro o carnavalesco Cahê Rodrigues, que já pediu emprego na Grande Rio, onde posto está vago. “Cahê nos procurou e estamos conversando. Vou até ligar para o Nilo (presidente da Portela) para saber o que está acontecendo”, surpreendeu-se Hélio de Oliveira, presidente da tricolor de Caxias, que também sonda Alex Oliveira, o Rei Momo, para o cargo. Nilo Figueiredo dá de ombros: “Quem tiver que sair, saia. A Portela sozinha é maior do que todo mundo”. O Salgueiro foi a escola que mais brincou com o público. A bateria começou o esquenta com versão de sucesso católico do Padre Marcelo Rossi (“Ergueis as mãos, o Salgueiro chegou”) e emendou com sucessos cantados pela arquibancada. Confusão no Setor 1 terminou em desmaios depois que um policial militar identificado como Lucas disparou spray de pimenta para apartar briga de duas pessoas que disputavam lugar. Pelo menos quatro pessoas precisaram ser atendidas e muitas reclamavam de ardência nos olhos e no corpo. NOVIDADES O carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros, confirmou que fica na escola de Niterói. Já Cid Carvalho pode deixar a Mocidade Independente de Padre Miguel: “Recebi proposta para ser exclusivo da Estácio”. A Mangueira já começa a discutir as possibilidades de enredo para 2009. Uma delas é homenagem ao Cirque du Soleil. FANTASIA COMPORTADA O tapa-sexo de 3,5 centímetros ficou na gaveta. No sábado, a modelo Viviane Castro voltou à Avenida bem mais comportada. Desfilou pela Portela com biquíni que tapava totalmente os seios. A falta de roupa que custou meio ponto à São Clemente quase vira caso de polícia durante o Desfile das Campeãs. Na concentração, um componente da Amarelo-e-Preto quis tirar satisfações da morena e não poupou xingamentos. Foi preciso chamar policiais militares para acalmar o taxista Júlio César Azevedo, namorado de Bruna Almeida, rainha de bateria da São Clemente. Ela assistiu à cena e ainda tentou acalmar o amado, sem sucesso. “Ele chegou todo agressivo e disse que ia me bater. Me xingou e disse que o meu estava guardado. Fiquei muito nervosa. Nem sabia como reagir”, contou Viviane, que preferiu não prestar queixa em delegacia. Procurada por O DIA, Bruna Almeida, sobrinha de Renato Almeida, presidente da São Clemente, se negou a comentar o incidente. Após a confusão, Viviane desfilou na Portela com a fantasia ‘Asas do Desejo’. A Azul-e-Branca de Madureira orienta as passistas a não ousarem demais, o que a obrigou a esconder os seios e usar biquíni. Pela escola de Botafogo — rebaixada, mas não por culpa do meio ponto — ela evoluiu só com o minúsculo tapa-sexo. “A fantasia na São Clemente era de índia, tinha motivo para a pouca roupa. Ela não desfilou seminua à toa”, diz Kiko Alves, produtor carnavalesco. IVO SE MUDA DO MORRO Afastado da direção da bateria da Verde-e-Rosa, Ivo Meireles decidiu deixar o Morro da Mangueira. Ele foi defenestrado do cargo após a polícia descobrir passagem secreta do camarote da ala até a favela. Segundo a 17ª DP (São Cristóvão) o atalho era usado para facilitar a fuga de traficantes que freqüentavam a quadra, onde tinham até área VIP. Desde segunda-feira, o clima no morro está mais tenso. Informações da Polícia Civil indicam que homem identificado como Josa — que seria ligado a Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, chefe do tráfico local — teria sido executado. Com Tuchinha foragido, o controle está nas mãos de seu sobrinho, Pitbull, conhecido pelo estilo violento. No Desfile das Campeãs, Ivo confessou a amigos que sua situação no morro não era confortável. Sua assessoria de imprensa, no entanto, negou a mudança. Ivo foi demitido da bateria após discutir com outros diretores.
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