Rio - A notícia de que o empresário Rômulo Costa fizera uma proposta para assumir a produção do CD do Grupo de Acesso causou rebuliço no mundo do samba. Uma pessoa, no entanto, não se mostrou surpresa com o fato: Leonardo Bessa, responsável há cinco anos pela realização do disco. "Já sabia que o Rômulo iria fazer a proposta. Só faço questão de lembrar que há cinco anos o Grupo A estava abandonado. Como já fazia o CD do Grupo B, a Associação me procurou para produzir o álbum do A", disse.
Filho do maestro Reginaldo Bessa, Leonardo não gostou de saber que presidentes teriam reclamado da qualidade do CD e respondeu: "Não existe perfeição, mas tentamos sempre atingir um bom nível, porque gostamos muito do que fazemos. São muitas pessoas envolvidas nisso". O intérprete da São Clemente também comentou as críticas à distribuição. "A própria Associação recomenda que os discos sejam vendidos nas quadras. A pirataria atrapalha muito, mas já temos um projeto de vendas pela Internet e também para outros estados. A pré-produção do disco de 2008 já começou".
Atualmente, cada escola paga cerca de R$ 5 mil para o custeio da produção com estúdo, músicos, etc. De acordo com Bessa, depois de finalizado, cada agremiação do Grupo A recebe uma cota de 800 CD´s. Em 2007, a tiragem foi de 15 mil discos. Apesar do custo - principal reclamação de algumas escolas - ele garante que não tem medo da proposta de Rômulo Costa, que afirmou que iria pagar sozinho pela produção. "Tenho certeza de que os presidentes não querem abrir mão do meu projeto. O que eles querem é melhorar a distribuição e isso eu também quero. Todos no samba já conheçem o nosso produto. Estou tranqüilo".
Para o presidente da União da Ilha, Márcio André, o trabalho de Leonardo Bessa é de grande qualidade. "Sou admirador do trabalho que o Bessa e o pai dele fazem. Só gostaria de que as escolas não tivessem que arcar com um custo tão grande como acontece. Fica pesado para nós", comentou. O dirigente também lembrou que quem procurou Rômulo Costa foi o presidente da Caprichosos, Paulo de Almeida. Na próxima terça-feira, haverá uma reunião na Associação, às 20h, entre os dirigentes do Grupo de Acesso e o dono da Furacão 2000 para a avaliação da proposta.