26/2/2008 00:21:00

Jurados justificam o rigor

Um especialista classifica desfile da Viradouro como ‘bizarro’; outro dá conselho a dirigentes

Flavia Duarte


Rio - Aos olhos dos julgadores, o Carnaval 2008 padeceu de falta de criatividade, fantasias despencando, intérpretes desafinados e componentes quase mudos. A justificativa das notas do desfile, divulgada ontem no site da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), explica a punição dos erros e encontra motivo para castigar até a ousadia.

Julgador do quesito enredo, Luiz Antônio Araújo começou a justificativa elogiando as “soluções plásticas” que deram clareza ao desfile da Viradouro. Mas terminou a frase com uma implacável crítica ao trabalho do carnavalesco Paulo Barros. Araújo não gostou, especialmente, da fantasia do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Simpatia e Patricinha. Ele era um guilhotinado sem cabeça e ela, o carrasco.

“De forma alguma pode ser adequado a esta festa, que sempre se caracterizou por cultural, palco de alegria e crítica bem-humorada”, escreveu, justificando a retirada de três décimos.

A inventividade de Barros também não agradou a Elizeu Corrêa, para quem a defesa do enredo limitou-se a ser apenas a abordagem de um assunto. Ele deu 9,8 ao desfile da escola. Ninguém da Viradouro foi encontrado para comentar o relatório.

Rigoroso a ponto de dar um 8,8 para a Vila Isabel e 8,9 para a Porto da Pedra, Evaldo Santos cronometrou os erros de Harmonia. Num bilhete dirigido aos presidentes e diretores, ele lembrou que o canto é uma fonte de energia que dá movimento à escola, contagiando o público e empolgando o componente. Santos listou todas as alas que não cantavam o samba e seu ouvido apurado não perdeu um vacilo dos intérpretes. Teriam desafinado Luizinho Andanças, Wantuir e Tinga. Nem o cavaquinho do Salgueiro escapou.
“Evaldo é um bom maestro e arranjador, um baita músico. Pode ser que ele não tenha gostado da harmonia da música. Mas já vi e revi o compacto do desfile e chamei vários amigos para ouvir. Sei que não estive fora do tom”, afirmou Wantuir.

Os jurados viram defeitos em acabamentos de carros e fantasias da Mangueira. Já fora da escola, o carnavalesco Max Lopes, porém, não se abala: “Um tema abstrato favorece a ousadia. Com um tema histórico e folclórico não há muita saída”.

QUEM NÃO AGRADOU

O socialite Bruno Chateaubriand viu problemas de acabamento na maioria das escolas e uma tesoura esquecida num carro da Mangueira. Ele, que já disse não querer continuar, deve ser um dos cortados pelos presidentes das agremiações, na reunião da próxima semana. Uberlan de Oliveira, da Porto da Pedra, não entendeu a sugestão de Carlos Alberto Marques, do quesito Alegorias, que sugeriu que o carro da escola que trazia um lago poderia ter carpas: “Tem uns jurados que cavam a própria sepultura”. Hélio de Oliveira, da Grande Rio, não perdoa Alice Serrano, que lhe tirou 4 décimos no samba: “É louca!”.

A MELHOR FESTA DO PLANETA

O Carnaval do Rio é definitivamente o maior espetáculo da Terra. A constatação feita há muito pelos brasileiros agora recebeu assinatura internacional. A edição de março da ‘Wanderlust’, maior revista de turismo da Inglaterra, traz a festa carioca no topo da lista dos 10 melhores festivais do planeta. Com larga vantagem, ela foi a escolhida por viajantes de várias nacionalidades. A premiação virou matéria do jornal britânico ‘The Independent’, que descreveu a folia do Rio como o “espetáculo que, mais do que qualquer outro, tem capturado a imaginação do mundo”.

Voltada para viajantes apaixonados, a ‘Wanderlust’ tem assinantes em 112 países e mais de 100 mil leitores. Cerca de 3 mil pessoas votaram na eleição, que acontece há sete anos. Nenhum outro evento do continente americano figura na eclética lista que inclui Dwali (5º lugar), uma espécie de natal hindu feito na Índia, até o Carnaval de Veneza (7º).

Aqui, uma pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Turismo mostrou que 90% dos turistas que vêm ao Rio de Janeiro a bordo de cruzeiros marítimos pretendem voltar um dia. Dos 1.200 entrevistados, 30% eram americanos, 16% alemães, 14% ingleses e 12% franceses. O ponto turístico mais visitado por eles foi o Pão de Açúcar (34%), seguido pelo Cristo Redentor (23%).

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'Braguinha' (Mangueira, 84)

'Kizomba' (Vila Isabel, 88)

'Liberdade, liberdade' (Imperatriz, 89)

'Ratos e Urubus'
(Beija-Flor, 89)

'Vira, Virou...a Mocidade chegou' (Mocidade, 90)

'Vou cair na gandaia', (Viradouro, 97)


 



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