12/02/2009 01:24:00

Ladrão de flashes

Chefão da Beija-Flor quer que carnavalesco Bira deixe de desfilar todo pintado: visual rouba a atenção das musas, que são ofuscadas

Élcio Braga


Rio - Pintou dúvida na cabeça do carnavalesco Ubiratan Silva, o Bira, da Beija-Flor. Ele não sabe se poderá desfilar este ano totalmente pintado, como ocorre desde 2004. O diretor-geral da agremiação, Laíla, recomendou que ele fosse à Avenida como os demais carnavalescos, de uniforme da diretoria. Bira tem até a véspera do desfile para convencer a direção a mudar de idéia. Pintado como onça ou sapo, o elástico Bira costuma atrair a atenção dos fotógrafos na Sapucaí, deixando musas seminuas como papagaio de pirata. Muitos o chamam de Senhor Make Up (maquiagem).

Fotos: Arquivo Pessoal


 

 

 

 

 

 

 

 

A fantasia de tinta custa até R$ 5 mil e demora pelo menos três horas para ficar pronta. A tinta cobre o corpo de Bira em processo original. Em vez de pincel, usa-se o Air Brush, equipamento utilizado na pintura de alegorias. A técnica permite qualidade inigualável nas imagens sobre a pele, em tom degradê. Combina-se a maquiagem, aplicada por Bira, com a arte das alegorias, do pintor Marcelo Augusto.

“Quando chego pintado ao Sambódromo, o povo vai abrindo para eu passar. Passo como rei”, vibra Bira, que começou a tradição justamente porque perderam a camisa com a qual desfilaria em 2004. A peça só chega algumas horas antes do desfile. A de Bira não veio.

Para entrar na Avenida, improvisou: “Fiz maquiagem de onça, dentro do enredo que falava da Amazônia”, conta ele, que, só de tapa-sexo, saiu pela escola arrumando as alas. A onça ganhou destaque em jornais e revistas. Para Bira, a fantasia deu sorte: a escola ganhou o título. No Desfile das Campeãs, aprimorou a fantasia: contou com a ajuda do pintor de alegorias. Demorou cinco horas para se transformar no felino.

No ano seguinte, no tricampeonato da Beija-Flor, Bira veio de réptil, no enredo que falava das Sete Missões. Em 2006, a escola ficou apenas com o 5º lugar ao falar sobre Poços de Caldas e o início da vida. Mas Bira continuou nas capas de revistas ao desfilar de sol. Em 2007, ganhou a pintura de um beija-flor, no enredo vitorioso sobre a África. No último desfile, no bicampeonato, veio de sapo garimpeiro.

Apesar do sucesso, Bira sabe que a apresentação da pintura, combinada a movimentos cadenciados, é o terror das beldades. “Muitos destaques pedem para eu não ficar perto.
Fico surpreso em ver nos jornais e revistas a minha foto no lugar das de mulheres quase nuas”, admite ele, sem revelar como viria pintado este ano. Ele tem a esperança de que pinte novidade até o momento do desfile: a liberação para sair pintado.

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