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Luis Carlos Magalhães analisa documentário sobre a obra de Candeia
A sensação que fica ao sairmos do cinema é que temos ali um filme heróico. Quanto terá sido o orçamento de “O Mistério do Samba”, o filmaço da Velha Guarda da Portela, ou o de “Cartola” recentemente exibido. Nada menos de 1 milhão cada um, com certeza. O que dizer quando um jovem sociólogo, sem nenhuma experiência anterior na cinematografia, mete a mão em seu próprio bolso, reúne seus parceiros Luiz Fernando Couto e Regina Rocha, ele artista plástico, ela jornalista, e gasta exatos sete mil reais para realizar o filme? Se as comparações são inevitáveis, vale dizer que diante daqueles outros a fita de Bruno Bacellar está longe de “desaparecer”. Se for certo que não se viu qualidades mínimas de som e que se viu imagens imprecisas, o filme mostra o imenso vigor físico e pessoal de Candeia e da escola de samba que criou. As novas gerações que ali estiveram, e que tanto ouvem falar do ‘mestre’, tiveram a oportunidade de enriquecer seus referenciais com um personagem singularíssimo na história da Portela e do samba. Esta é a grande mensagem do filme... maior que a imagem de Candeia e as imagens da Quilombo. A mensagem da lição que Candeia deixou, transmitiu aos próprios realizadores e a equipe, se é que houve alguma equipe. E deixa para todos os outros Brunos, Luizes e Reginas a mostra do quanto há para ser pesquisado... mostrado; o quanto da história da cultura do povo brasileiro está escondido por aí. E esta é a lição dos realizadores. Sem chororô, com uma câmera na mão e o Candeia na cabeça, nutriram-se da inesgotável energia do mestre e puseram na tela um resultado final repleto de imperfeições técnicas mas repleto ainda de amor e dedicação ao samba. Não duvido que, dos três, pelo menos um seja portelense.
O que está acontecendo com São Paulo que dá mostra tão vigorosas da força do samba, a ponto de uma escola tradicional como a Barroca Zona Sul ter gerado uma Quilombo com as exatas motivações, intenções e objetivos da escola de Candeia. A exemplo da ausência de Cristina Buarque no filme da Velha Guarda, pude sentir a ausência de um depoimento de Marquinhos de Oswaldo Cruz, um ‘filho de Candeia’ que foi menino e cresceu ouvindo histórias de seu mestre ali mesmo naquele lugar ‘bem perto de Madureira.’ E por falar em Marquinhos, está chegando o ‘Pagode do Trem’. Este ano vamos homenagear Candeia. João Batista Vargens, biógrafo do ‘cara’, vai relançar o livro ‘Luz da Inspiração’ na Central do Brasil e lá em Oswaldo Cruz, com direito a roda de sambas ‘encandeados’ com as comidas que Candeia costumava fazer nas rodas em sua casa. Até 2 de dezembro, lá na Gare da Central. Candeia já disse que vai ...
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