*Luis Carlos Magalhães
A maior emoção: a escola que mais me tocou foi Império Serrano, por tudo que venho escrevendo e defendendo aqui neste espaço.
O maior impacto: a que mais me impressionou visualmente em seu conjunto foi a Grande Rio. Pela força de seu enredo e por ele ter sido tão bem desenvolvido. Destaque para o Moulin Rouge, pela integração dos profissionais estrangeiros ao espírito da festa.
A cena mais forte: Um conjunto de cenas: a demolição dos cortiços, a construção do Municipal e a inesquecível encenação de Aída. Uma bela parceria Paulo/Alex, vida longa é meu desejo.
Maior virada: nunca acreditei no carnaval da Viradouro. Uma escolha de enredo equivocada, patrocínio "furado", samba horroroso. Nada disto: uma frase infeliz fez tanto o enredo quanto o samba serem mal vendidos. Enredo claro, bem desenvolvido. Samba (continuo não gostando!) correspondendo, belas fantasias e alegorias. Mea culpa!
Maior alegria: outro Mea Culpa. Incentivei o tempo todo mas nunca levei muita fé no enredo da Portela. Acabei empolgado com um belo enredo, muito bem desenvolvido com fantasias "limpas", mesmo sem aquele velho luxo, e alegorias corretíssimas. Também não levava fé na dupla de carnavalescos. Achava que a escola estava arriscando muito e que podia não dar certo. Estou agora dando a mão para quem quiser bater. Belíssimo trabalho.
Maior preocupação: Pelo que vi no início da pista. Se a Mangueira continuou perdendo, ao longo do desfile, pedaços de fantasias e de alegorias naquele ritmo terá sido uma escola mutilada, terá sido o pior desfile de sua história. Foi o que vi. O samba foi o de melhor resposta do carnaval. A escola cantou muito e dançou muito.
Maior torcida: que os quesitos de chão, de canto e de dança salvem a Mangueira e salvem a Tijuca de um pior resultado. E também a mocidade.
Um grande momento: A homenagem final da Imperatriz ao Cacique de Ramos e à Maria Helena. Maravilha.
Maior alegria: muitas escolas com alas de baianinhas. É como se novos e pequeninos galhos estivessem nascendo no caule forte de cada escola. E todas as alas de baianas: lindíssimas.
Maior certeza: o enredo do Salgueiro, tão nítido, tão claro, tão didático mostra o quanto ainda há para mostrar no carnaval, nos desfiles. Deixo aqui uma dúvida: não vi – será que bobeei? – uma referência à invenção do bumbo e ao sambista Bidê, aquele “que de uma barrica, se fez uma cuíca, de outra barrica, o surdo de marcação”.
Maior expectativa: o resultado da Mangueira. Pelas mutilações de alegorias e fantasias, dará a medida do peso que os quesitos visuais têm em relação aos quesitos de dança, canto e ritmo.
Tristeza: Lucia Nobre, de tão perfeccionista, tem muitos calçados de desfile dependentes das condições da pista. Com uma lua daquelas, pode ter sido prejudicada involuntariamente pela enxurrada da Beija Flor.
Uma crítica: nunca vi tanta gente na pista da concentração.
Enfim, para não ficar em cima do muro, acho que teremos uma belíssima disputa pelo primeiro lugar. Vila Isabel, Salgueiro e Beija Flor. Encostando Portela e Imperatriz.
No sábado: Quem sabe Viradouro e, tomara, Império Serrano.
* Luis Carlos Magalhães é pesquisador de carnaval e advogado