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Luis Carlos Magalhães comenta a festa dos enredos da Lesga Luis Carlos Magalhães
De um modo geral essas festas de apresentação de enredo têm sido muito chatas. Não significa que não sejas boas iniciativas. Acho que acabarão por encontrar “linguagem própria”, adequada, se tornando, aí sim, uma das muitas boas novidades do carnaval. Até pela novidade que representam, poucas escolas conseguiram já “acertar a mão”, “ajustar o foco”, e fazer uma apresentação que não se perca em excessos e não peque em simplificações exageradas. Na minha visão a festa, que “tem a pretensão de ser a ‘avant premiere’ do carnaval” (valeu, Miro: depois te pago royalties), tem contornos ainda difíceis. São dez enredos. Cada escola querendo mostrar o melhor sem que possa ter a idéia do conjunto. Tudo isto sem cansar a platéia...Tarefa difícil. De minha parte, penso que a medida certa é “deixar só um gostinho” do enredo. Como se só o perfume, o rastro do tema ficasse. Uma idéia, um jeitão... o astral...nada mais que isto. Na verdade as apresentações dos anos anteriores deixaram ver a distancia a percorrer até este tipo de apresentação encontrar sua “próprioa cara”. Cada escola que avança ‘um pouco’, que exagera ou omite ‘um pouco’ contribui ‘um pouco’ para pesar o espetáculo em seu todo. Como medir isto sem ter idéia do todo? Nem sempre uma apresentação animada, com boa coreografia e figurinos cumpre a função maior de didatizar o tema. Há outras super-didáticas porém frias, descarnavalizadas, sem falar em outras que não alcançam nem a fantasia e nem a didática. De todos os que vi este foi o show que gostei mais. Talvez até porque agora tenha me dedicado a apreendê-lo, prestar atenção naquilo que é mostrado. E aí outra tarefa difícil: prestar atenção. É tão bom encontrar gente do carnaval, gente que muitas vezes ficamos sem ver por dez e até doze meses. Como encontrar gente assim e não ficar conversando, curtindo sem ter a menor idéia do que está no palco? - “E aí, gostou do enredo tal? Já ouviu algum sambaço? E fulano, hein?”. E aí, mais uma razão que marca o valor da síntese nestas horas. O motorista de táxi que sempre me leva e me busca, filho de Mestre-Sala da Matriz e Porta-Bandeira da Capela que já foi passista do Cabuçu, deu até a ideia de o espetáculo ser no João Caetano. Segundo o Genecy ali ninguém ficaria tomando cerveja e nem conversando, todo mundo ligado no palco. “_ daqui para frente vai ter muito ti ti ti, muita cerveja, muito diversão... agora, hoje, é lugar de conhecer o enredo”. O motorista pode até estar exagerando, mas faz sentido... Gostei mesmo. Embora não esperasse isto, afinal é a primeira vez, me pareceu que as escolas se dedicaram ao evento. E se dedicaram no aspecto técnico, valorizando a presença de profissionais daquelas especialidades, com poucas improvisações por mim percebidas. Foi de verdade uma “avant premiere”. . Destaco a apresentação da Tuiuti dublando grandes ídolos do velho Cassino da Urca, brindando o público com inspirada seleção musical. Descomplicou o aproveitamento de um tema de facílima compreensão. Bom, bonito e barato.. .ou melhor, bonito , colorido e didático. Um exemplo daquilo que entendo que deva ser a festa. Igual destaque merece a Ilha pelo colorido e pela forma criativa de abordar o enredo do turismo com boas soluções sem aquela obviedade que o tema pode sugerir. Saí dali com com a noção de o quê vai rolar na Sapucaí. E digo que saí muito animado com a variedade de temas acessíveis ao entendimento comum e com bom teor de carnavalização. E se a safra de sambas for boa... vamos fazer uma grande “farra”. Tomara ...
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