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Luis Carlos Magalhães homenageia a memória de Luis Carlos da Vila em artigo
O poeta, o tempo, e o seu tempo
Coitado do cara. Por mais talento que tivesse... por maiores que fossem os sambas que compusesse jamais lhe seria reconhecida tal proximidade. Assim é o tempo.. .assim somos nós...
Se a morte diferencia, o tempo potencializa: virtudes e pecados. Será que Nei se ombreia com Wilson?; e João Nogueira? Será que já pôde entrar em nosso Olimpo, ou precisa mais tempo? Será que a Clara viva seria tão amada quanto hoje é? Ou será que não é nada disto e que a obra é que amadurece e se transforma no tal passaporte? Penso isto tudo olhando pela última vez para Luiz Carlos da Vila. Como será ele lembrado, avaliado, classificado no carnaval de 2988? Seu lugar em nossas lembranças.. .mais que garantido! Por tanto e por tudo que dele já ouvimos e por tudo e por tanto que seguiremos ouvindo pelas rodas de samba da nossa cidade... nas batucadas dos nossos tantans. Tão ‘moleque’..., como se já estivesse zombando de cada um de nós neste momento triste, neste momento em que ficamos aqui na quadra da Vila tentando saber qual o seu mais bonito samba. Quem saberá ... Mesmo que todos ali soubéssemos, fácil, o seu mais importante de todos, o que lhe pôs na história. A reação mais forte foi do Hilton, do Candongueiro. Incrédulo, me olhou e disse: “esse cara... num dá p’ra morrer, não adianta !”. De minha parte, ficou esquisito. Repito aqui que meu samba favorito deste século ainda é ‘Cabô, meu pai’. É dele, de Aldir Blanc e de Moacyr Luz. Como é só ‘cachorro grande’ fico sem saber quem fez o quê... Mas não tem nada, o show..sabe como é, né? ...
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