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Mangueira faz desfile brilhante mas público se mostra um pouco constrangido Rio - Mesmo com a chuva presente, a Estação Primeira de Mangueira, quinta escola a entrar na Avenida na madrugada desta segunda-feira, fez um desfile brilhante, com muito requinte, como de costume. No entanto, na contramão do que acontece todo ano, o público dos setores 1 e 3, recebeu com frieza e constrangimento a chegada da escola. Aparentemente, a imagem da Mangueira ficou arranhada pelos recentes escândalos envolvendo membros da diretoria. Um dos intérpretes, na hora do esquenta, começou com a frase: "Agora é hora de mostra a verdadeira Mangueira, a escola mais amada de todo o planeta". A escola procurou deixar para trás as suspeitas de ligação de dirigentes com o tráfico de drogas para homenagear o centenário do ritmo pernambucano. O carro abre-alas, chamado ‘Recife Mandou me Chamar’, levou a avenida aos primórdios do frevo, com o brasão de Recife e esculturas com roupas típicas. À frente da alegoria, capoeiristas encenaram uma luta. À frente e nas laterais, leões coroados neerlandeses, elementos representativos da força e bravura do povo recifense. Emocionado e visivelmente nervoso, o dançarino Carlinhos de Jesus, responsável pela comissão de frente, terminou o desfile com sucesso. "Fuquei nervoso porque a comissão era totalmente inexperiente, mas cumpriram muito bem o papel", disse. Os integrantes são 15 alunos de um projeto social de frevo do Recife. Sobre as recentes polêmicas, Carlinhos disse que a escola está sendo apedrejada. A homenagem da escola incluiu um baile de máscaras, com direito a personagens como arlequim e pierrô mascarados. O carro é inspirado nos salões de baile dos séculos 19 e 20. O penúltimo carro da escola tinha sete esculturas de elefantes gigantes para representar o maracatu, manifestação antecessora ao frevo, num cortejo àsua realeza. O carro simbolizou o ritual de oferecer música e dança para a coroação do Rei. As alas apresentaram elementos como os carregadores de lampiões. Fechando as homenagens ao centenário do frevo, a escola representou a fusão do samba da Mangueira com o frevo mostrando os instrumentos musicais do ritmo pernambucano chegando ao morro carioca. O mestre Cartola recebeu um gigante Galo da Madrugada. A presidente Chininha minimizou os recentes problemas enfrentados pela agremiação. "Está tudo ótimo. Vocês vão ver que os problemas não afetaram em nada a escola", disse. Gracyanne Barbosa, rainha de bateria, contou que reduziu a malhação na véspera dos desfiles para evitar uma agressão. "É preciso sambar mais e malhar menos", disse. Sobre as recentes polêmicas da escola, Gracy disse que "a escola é muito mais do que a imprensa mostra". Pelo segundo ano consecutivo, a atriz Luana Piovani saiu como uma dançarina de frevo na ala dos artistas. "Estou feliz e ansiosa. Dei um pit stop de seis anos, mas já é a segunda vez que desfilo pela Mangueira", afirmou A sambista Beth Carvalho disse que o coração bate forte pela Mangueira, mas que está feliz com o convite de Paulo Barros, para desfilar pela Viradouro. "Meu problema não é com a Mangueira e sim com a atual diretoria, que me deve desculpa formal", disse. O ex-presidente da bateria da Mangueira, Ivo Meirelles, que deixou o posto em dezembro, assistiu ao desfile da escola no camarote da Brahma. Emocionado, o músico chorou com a passagem da agremiação. Meirelles foi ovacionado pelos integrantes da bateria, que acenaram, mandaram beijos, abraços e até entregaram a baqueta de um dos surdos para ele. O músico correspondeu a todos e, no fim do desfile, disse estar muito triste e alfinetou, sem citar nomes, membros da Mangueira com os quais discutiu antes de se afastar. "Será que o capeta seria saudado dessa maneira que eles me saudaram?", questinou. Magoado, Meirelles afirmou que se sentiu como alguém que perde algo muito querido ao assistir a Mangueira sem poder participar. "É como alguém raptar seu filho e ele dar tchauzinho para você do outro lado da rua", afirmou. Ele descartou uma volta à Mangueira e disse que não tem mais vontade de se dedicar tanto à escola. "Já me doei o tanto que eu poderia, agora vou deixar para alguém com mais vontade. Meu tempo já passou", disse. Ivo Meirelles deixou a bateria da escola por, segundo ele, discordar de alguns posicionamentos da nova administração da Mangueira. A Mangueira foi fundada em 1928 e já nos três primeiros desfiles oficiais mostrou que era uma escola de peso: foi campeã em 1932, 1933 e 1934. A escola diz ter inventado o samba-enredo. É a única escola que ganhou títulos em todas as décadas. Foi a terceira colocada no Carnaval 2007. A Mangueira desfila com 4,5 mil componentes em 28 alas e oito carros alegóricos.
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