Élcio Braga e Raphael Azevedo
Rio - Era impossível não se emocionar. Depois de uma década de jejum, a Mangueira arrebentou nos primeiros desfiles do Sambódromo. Em quatro anos, foram três títulos de tirar o chapéu. Falavam de Braguinha (84), Caymmi (86) e Drummond (87). Desde domingo O DIA conta os espetaculares 80 anos da Verde-e-Rosa. A escola mostrou que além do Carnaval oferecia lições.
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A terceira fase (68-87) começou com o bi em 1968: ‘Festa de um povo’. Um forte temporal só cessou instantes antes de a escola contornar a Candelária. Até samba se fez em agradecimento a São Pedro pela colher de chá.
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Os ensaios já eram badalados e a antiga quadra na Rua Visconde de Niterói não comportava tanta gente. Filas longas na entrada, banheiros minúsculos e ‘briga’ para pegar cerveja.
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Após lutar para regularizar o terreno — reclamado por antigo dono — e obter aprovação do poder público, a Mangueira inaugurou o Palácio do Samba em abril de 1972. “Se a quadra não fosse onde é, talvez o morro tivesse acabado. Projeto da prefeitura desapropriaria grande parte da área: previa braço de viaduto e túnel”, crê Raymundo de Castro, 77 anos, diretor financeiro.
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Em 1973, a Mangueira levou a melhor com ‘Lendas do Abaeté’. Nos 11 anos seguintes, a escola viu as glórias do Salgueiro e, sobretudo, da Beija-Flor.
Em 1980, com o enredo ‘Coisas nossas’, incluiu homenagem a Garrincha, já muito doente. Ficou em antepenúltimo lugar. A escola perdera grandes nomes. Em 1980, a porta-bandeira Neide e Cartola. Em 1983, o Mestre Waldomiro Thomé Pimenta, que comandou a bateria por 51 anos.
A inauguração do Sambódromo em 1984 deu sorte. Ganhou com ‘Yes, nós temos Braguinha’. O momento mais marcante ocorreu quando os mangueirenses, após o desfile, retornaram na contramão pela pista. O público, em êxtase, misturou-se às alas. Os jurados ficaram atônitos. Em 1985, após um 7º lugar, conquistou o bi, com as voltas do carnavalesco Júlio Mattos e do diretor de harmonia Olivério Ferreira, o Xangô. Nos dois desfiles, retomou com sucesso a homenagem a ícones da cultura brasileira, Caymmi e Drummond.