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Mangueira: vitórias além da Avenida Projetos como o da Vila Olímpica também são campeões Élcio Braga e Raphael Azevedo Rio - O compositor Ismael Silva, que inventou o termo ‘escola de samba’, porque ela ensinava a arte do ritmo, teria de usar expressão mais ampla para definir a Mangueira. Se nos últimos 20 anos conquistou dois títulos — pouco para a sua tradição — , a Verde-e-Rosa tem muito mais vitórias fora da Passarela. As oficinas profissionalizantes atendem 1,9 mil pessoas na quadra. Em sua Vila Olímpica, são mais 3 mil jovens em projetos esportivos, educacionais e sociais. Só no último Pan 12 atletas haviam passado pelo espaço mangueirense e cinco deles trouxeram medalhas. Ismael possivelmente chamaria a Mangueira de escola de samba e de vida.
O DIA publica nesta quarta-feira a última parte da História dos 80 anos da Verde-e-Rosa, que serão completados dia 28. A série, iniciada domingo, mostrou como sete homens, reunidos num barraco, criaram uma paixão que deixou a favela, alcançou todo o Rio e chegou a outros cantos do planeta. “Estou terminando de escrever um livro sobre 37 escolas de samba em Portugal. Todas querem ser a Mangueira”, atesta a pesquisadora Marília Barboza. E olha que a escola passou maus bocados nas últimas duas décadas. Perdeu o presidente João Dória, assassinado em dezembro de 1987, nos preparativos para o desfile em que tentaria o tri. Em livro sobre sua história, a agremiação usou manchete de O DIA para resumir o motivo da derrota: ‘Deu Kizomba no tri da Mangueira’. A vitória da Vila Isabel era incontestável.
A seguir, amargou colocações ruins: 1989 (11º), 1990 (8º), 1991 (12º) e 1994 (12º). A volta por cima aconteceu em 98, com ‘Chico Buarque da Mangueira’, em título dividido com a Beija-Flor. O último veio em 2002: em homenagem ao Nordeste. O pior revés veio este ano, após uma série de problemas. Ivo Meirelles deixou a bateria depois de brigar em ensaio. O então presidente Percival Pires renunciou ao ser acusado de homenagear um fora-da-lei, e a vice-presidente, Eli Gonçalves, a Chininha, assumiu dois meses antes do desfile. A escola só conseguiu o 10º lugar. A volta por cima, mais uma vez, está prometida.
Os programas sociais e educacionais da Mangueira são hoje um enredo à parte. Para manter a estrutura, a escola emprega 400 funcionários. A folha salarial — quitada com patrocínios — gira em torno de R$ 140 mil. Mas os melhores números são sobre o alcance das ações. Os programas se espalham na Vila Olímpica, que tem 30 mil m², na quadra e em quatro postos de saúde. Participam do projeto esportivo e educacional perto de 3 mil pessoas. Dos 12 atletas que estiveram no Pan, três ganharam ouro: Juarez Santos (caratê), Franck Caldeira (maratona) e Kátia Cilene (futebol feminino). A Escolinha da Tia Neuma atende 490 crianças, de 1ª a 4ª série. Todo o material é doado. O Ciep Nação Mangueirense recebe 1,5 mil crianças e, em parceria com universidade, oferece 400 vagas em curso superior. A Verde-e-Rosa oferece 32 oficinas na quadra — são cursos profissionalizantes como hidráulica e marcenaria. Há cursos de atividades ligadas ao Carnaval, e a escola mantém ainda a Casa Lar, para atender 20 meninos com problemas de deficiência. A Mangueira do Amanhã, escola mirim da Verde-e-Rosa, foi fundada em 1987. O objetivo era fazer com que as crianças pudessem conhecer e aprender a cultura do samba. OS ÚLTIMOS 21 ENREDOS 1988 ‘Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão?’ Ouça sambas inesquecíveis Chega de Demanda (samba de 1929):
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