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Neguinho da Beija-Flor sente os efeitos da quimioterapia e pode ficar fora do próximo carnaval
“Estou na pior fase. A quimioterapia é muito forte, tira todas as minhas forças, estou de cama. A equipe médica que tem cuidado de mim garante que vou conseguir cantar por 1h30 na Avenida, mas para isso terei que suspender meu tratamento, porque desse jeito, não vai dar para cantar”, prevê. Neguinho é realista: “A chance é de 50%. Para conseguir puxar a escola no Carnaval preciso ficar 30, 40 dias sem o tratamento, porque fazendo quimioterapia não há a menor chance”. A experiência no ensaio técnico da agremiação o deixou cabreiro. “Tentei cantar e, depois de 20 minutos, não deu mais. Eu me senti fraco, a quimio tira toda a sua energia, você puxa o fôlego e ele não vem, fica debilitado”, descreve ele, que sente enjôos e ardência nos olhos. “A pele também resseca, o cheiro de comida enjoa. O cabelo está caindo horrores. Estou preocupado, porque se está assim agora, imagina daqui a três meses. Vou ter que passar máquina zero no Carnaval”, promete, vaidoso. Neguinho já recuperou 5 dos 11 kgs perdidos após a operação no intestino. “Operar é mole, colocaram um remedinho na minha língua, quando acordei já estava cortado. Emagreci o que tinha que emagrecer, pesava 82, e agora, estou com 76. Para desfilar, tenho que parar a quimioterapia dia 17 de janeiro e ficar até o Desfile das Campeãs sem fazer. Aí eu vou estar novinho”, promete ele, retomando a esperança, sem tirar a alegria do rosto. “O sorriso é o mel. Tenho certeza que vou puxar o samba, o couro vai comer. Esse Carnaval vai superespecial, como se fosse o meu primeiro, vai ser o tudo ou nada, à vera, ‘quase não deu’. Vai ser como se tivesse começando tudo de novo, é como se fosse ‘Sonhar com o Rei dá Leão’, de 1976. Mas sem desmerecer o nosso samba para 2009, que é o melhor entre as escolas de samba, segundo os especialistas”, afirma. A força que tem recebido de parentes, amigos e até de desconhecidos funciona como mola para os dias ruins. “Se você quer saber quantas pessoas têm câncer é só ter um. O que não falta é gente pra dar pitaco, quem não teve conhece alguém próximo que já teve, é muito mais comum do que a gente imagina e várias pessoas famosas já tiveram e não falam, mas eu falei logo. Todo dia tem reza aqui em casa, já veio mãe-de-santo, pastor, budista. Um manda terço, outro manda santo. É melhor ter todo mundo do seu lado. Já imaginou eu ficar sofrendo com essa quimioterapia sozinho?”, diz ele, que quer fazer da sua luta um exemplo. “Todo mundo tem que saber como é o bagulho, e o bagulho é doido, mas tem que tratar para resolver”, completa. Neguinho só sai do repouso amanhã, por causa nobre: participa do show de fim de ano de Roberto Carlos, que será gravado na HSBC Arena. “Cantar com ele é a maior alegria da minha vida depois do nascimento da minha filha Luiza Flor, de três meses, e depois dessa porrada do câncer. Ensaiamos semana passada e o Rei me deu lição de humildade. Tem muita gente que faz um sucessinho e já se acha Michael Jackson. O cara é sucesso há 50 anos e é mais simples do que eu. Me ofereceu pastel, pegou minha filha no colo, me levou até o carro”, diz Neguinho, que ensaiou seis músicas com Roberto. “Ele vai escolher uma para cantarmos, acho que é ‘Angela’”, completa. Sua participação será encerrada pela bateria da Beija-Flor. “O homem é azul-e-branco!”, comemora ele.
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