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São Clemente: Os 200 anos da chegada da Família Real Rio - Os delírios de Dona Maria, a Louca, vão conduzir o público pela teatral e pitoresca chegada da Família Real ao Brasil, no desfile da São Clemente. O enredo, que recebeu R$ 2 milhões de patrocínio, traz uma monarquia bem menos caricata do que se costuma ver em filmes e livros. Mesmo com a recomendação do principal patrocinador — a Prefeitura do Rio — para não escrachar, a comissão de Carnaval formada por Mauro Quintais, Milton Cunha e Fábio Santos não perdeu a irreverência característica da agremiação. “Quem narra o enredo é uma doida. Estamos até usando a travesti, Rogéria, na comissão de frente. Mas não se trata de crítica à Família Real. A imagem de Dom João VI foi preservada, a pedido do prefeito Cesar Maia”, diz Milton Cunha. O desfile será uma espécie de entrada régia — celebração triunfal típica da monarquia — que, nos dias de hoje, poderia ser traduzida como um Carnaval fora de época. Rogéria representará o surto de Dona Maria na escadaria de um teatro. O grupo enlouquecerá com ela. Dois cisnes pretos em meio a outros 16 brancos simbolizam a tragédia da atormentada mente da rainha. No carro abre-alas, eles se tornarão quimeras — bichos meio arara, meio cisne —, misturando em suas mentes os dois mundos. A agremiação tentará reproduzir na Avenida as safiras azuladas — gás incandescente que ela mandou criar para colorir os céus de Portugal. O efeito deverá ser obtidos com fogos frios e iluminação no carro alegórico, que terá 50 metros. As baianas desfilarão de luto, com a fantasia “Maria enclausurada de amor”. Uma sutil ironia vai divertir o público no terceiro carro. Quatro casais dançarão o minueto vestido de frangos assados no segundo andar. Abaixo, D. João vem sentado num trono, sendo reverenciado na cerimônia do beija-mão. A figura clássica do rei devorando coxas de galinhas não estará lá. Na época, a população reclamava de que a Família Real comprava quase todas as aves do mercado. “Não é uma alusão à difundida mania do rei de comer frangos”, assegura Mauro Quintaes. A costura em pleno desfile de um enorme vestido no alto do sexto carro será mais um delírio da louca, que mostrará a influência das missões francesas e austríaca na moda. O retorno da corte à terrinha é lembrado com um entrudo que terá banhos de limões de cheiro. Sob o título ‘O Clemente João VI no Rio: a redescoberta do Brasil’ e baseados em rigorosa pesquisa histórica, a São Clemente pretende apresentar um verdadeiro “desfile triunfal” sobre o período joanino, recriando as arquiteturas efêmeras de época, as festas, os rituais, as cerimônias régias, as missões artísticas e científicas, o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro que recebeu o príncipe regente e sua corte em 1808, transformada na sede do império ultramarino português. Com muita cor, alegria e criatividade, a escola abre os festejos pelo bi-centenário de D. João no Rio, reforçando através de sua arte, a importância do gesto político do príncipe regente D. João VI, ao transferir para os trópicos a capital de um reino, que imprimiu novos rumos à história do país e profundas modificações a partir da cidade do Rio de Janeiro.
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