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Som Brasil Cartola: Por que ficamos sempre com a impressão de que o passado foi melhor? Bruno Filippo
E não é somente pela qualidade das letras, da melodia e das harmonias de compositores e cantores do passado. Aos do presente lhes falta inspiração e, sorry, talento. Só isso justifica a saudade do passado; mas a isso se soma a padronização de cantores e músicos, o que não só esta, mas também outras edições do Som Brasil têm deixado patente. Na arte, um novo jeito de interpretar clássicos chama-se releitura. E, na música atual, são essas releituras que incomodam porque empobrecem o clássico, rebaixam-no aos padrões que não eram os de seu tempo, e ainda tentam transmitir a impressão de que as leituras anteriores são ultrapassadas. Todos aqueles jovens cantores e instrumentistas reliam Cartola pela lupa de uma estética pop que suprimia quase toda a riqueza de sua obra. Não fosse pelas interpretações de Tereza Cristina e Alcione (mesmo assim, as duas não estavam em seus melhores dias), Cartola terminaria o programa menor do que quando começou. Mas nada melhor do que os velhos mestres do passado para nos dar lições. O melhor momento do programa foi a última cena , quando Cartola, ele próprio, aparecia cantando, mostrando aos jovens por que a nuestro parescer / cualquiera tiempo pasado fue mejor.
* Bruno Filippo é jornalista e coordenador do Instituto de Carnaval da Estácio de Sá
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