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Velhas Guardas se reúnem terça-feira para celebrar o Dia Nacional do Samba Rio - ‘Vou partir/Não sei voltarei/Tu não me queiras mal/Hoje é Carnaval’, cantam em coro Tia Surica, Nelson Sargento, Moacyr Luz, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Bombeiro e Adilson Pereira, na hora das fotos. Os versos de Jair e Nelson Cavaquinho servem para ilustrar a viagem que todo sambista tem vontade de fazer quando pisa na Central do Brasil no dia 2 de dezembro, Dia Nacional do Samba. É o Pagode do Trem, que chega a sua 13ª edição na próxima terça-feira. Além da tradicional apresentação das Velhas Guardas na estação da Central a partir das 17h, quatro trens, de 20 em 20 minutos, num total de 28 vagões, levam os sambistas até Oswaldo Cruz, animados pelas principais rodas da cidade como Cacique de Ramos, Pagode do Renascença, entre outros. “Eu já andei muito de trem. Gosto mesmo é da hora que a gente chega em Oswaldo Cruz. É o paraíso, é hora de a gente reencontrar os amigos que vê uma vez por ano”, brinca Josmar Miranda, o Bombeiro da Velha Guarda do Salgueiro que, aos 68 anos, sabe do que está falando. A festa em Oswaldo Cruz reúne em média 40 mil pessoas. Todos com disposição para atravessar o sereno e sambar nas 20 rodas espalhadas pelo bairro. “É o único dia em que toda a comunidade do samba se reúne”, diz Adilson, da Vila Isabel. “O dia vem raiando/trazendo o gorjear da passarada”, emenda Tia Surica com a poesia de Casquinha e Argemiro, lembrando que só quando amanhece é hora de deixar o bairro. “Tem que ter disposição. A brincadeira começa no trem, para ver qual é o vagão mais animado. Com a Velha Guarda não tem erro, e olha que a gente não quer ser melhor do que ninguém”, diz ela, diante de Moacyr Luz, que entrega os pontos: “Está certa, minha madrinha!”. Organizador do evento, que tem apoio do Ministério da Cultura, Marquinhos de Oswaldo Cruz espera ansioso pela hora da tradicional ‘chamada’ feita minutos antes da partida do trens na Central do Brasil. É o momento em que ele chama por sambistas que já se foram, e o público responde como os gritos de ‘presente’. “Este ano vamos homenagear Candeia, pelos 30 anos de morte, e claro, Luiz Carlos da Vila (morto em outubro). Vai ser uma hora de fortes emoções”, diz ele, acrescentando que o evento terá cobertura da rede de TV BBC, de Londres. “É a chance de eles conhecerem nossa riqueza cultural”. Para Nelson Sargento, está na hora de a festa se espalhar por toda a cidade. “Todas as escolas de samba deveriam abrir suas portas e celebra”. O itinerário do samba A partir das 17h, começam os shows de Marquinhos de Oswaldo Cruz, Velhas Guardas, Nelson Sargento e Walter Alfaiate na Central do Brasil. Para os trens, a entrada é um 1 kg de alimento. A partir das 19h, sai o trem Candeia, com a Velha Guarda da Portela, Tia Doca, Cacique de Ramos, entre outros. Às 19h20, o Silas de Oliveira leva nomes como a Velha Guarda do Império Serrano e Grupo Roda do Bip. Às 19h40, parte o trem Cartola, com Velha Guarda da Mangueira e do Salgueiro, Pagode do Sambola, entre outros. Às 20h, o último trem para Oswaldo Cruz sairá com a Velha Guarda da Vila Isabel, entre outros. Os trens são expressos e, ao chegar ao bairro, quatro palcos e mais de 20 rodas esperam pelos sambistas.
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