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Viradouro já refez alegoria do Holocausto Faixa de protesto vai ser incluída. Judeu, secretário apoiou probição Josie Jeronimo Rio - Vinte e quatro horas. Foi o tempo que o carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros, precisou para refazer o carro do Holocausto, desmontado por ordem judicial. No lugar da polêmica alusão ao massacre dos judeus na Segunda Guerra com corpos nus e esqueléticos, mostrada dia 18 por O DIA, a alegoria, até a tarde de ontem, ganhava aspecto de uma grande torta. Barros não adiantou detalhes. A idéia central será a crítica ao cerceamento da liberdade de expressão. “O carro do Holocausto está enterrado. Ele foi feito com muito carinho e respeito. Pena que as pessoas não entenderam”, disse Barros. O novo carro terá faixa na parte de trás com dizeres de protesto contra a censura. Pelo menos dois destaques estarão na alegoria. Ontem, o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, visitou a escola. Levou o compositor americano Quincy Jones para conhecer a Cidade do Samba. Medina, judeu, disse que é a favor da liberdade de expressão, mas não aprovava o carro: “Sou contra qualquer censura, mas o Holocausto não deve ser lembrado no Carnaval”. Na justificativa de mudança que enviou à Liesa, a escola afirma que “nem os algozes, nem as vítimas da trágica história da Humanidade têm o direito de ocultar os fatos, entorpecer a memória”. A aposta de polêmica, mesmo, é o carro do Kama Sutra. A alegoria retrata os ensinamentos milenares do livro indiano sobre sexo. De acordo com a descrição na ficha técnica do enredo ‘É de arrepiar’, a alegoria é uma “gigantesca cama que esconde casais fazendo amor”. Funcionários do barracão contam que o carro traz “mulheres sentadas no colo dos parceiros como se estivessem dançando o créu”. A alegoria já causa preocupação nas entidades ligadas à proteção dos jovens. “Pensei que fossem parar na polêmica. Mas parece que querem extrapolar”, disse a presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Vânia Farias. Porta-bandeira da escola, Simone Pereira defende a alegoria. “O carro não tem nada de mais. Tenho uma filha de 6 anos que sempre levo para o barracão”, diz. Em 2004, Joãosinho Trinta teve que cobrir seus carros que reproduziam o Kama Sutra. “Nada fere uma obra de arte, a não ser destruí-la, como aconteceu durante o nazismo”, afirmou na época. JOÃOSINHO ELOGIA INICIATIVA DE PAULO BARROS O veterano Joãosinho Trinta não se espanta, mas também não se acostuma com proibições de última hora ao trabalho dos artistas do Carnaval. “Já sofri bastante e não aceito qualquer intervenção para coibir a liberdade de expressão”, destaca o carnavalesco, que chega hoje ao Rio para assistir aos desfiles. “A intenção é muito boa”, comenta. Joãosinho enfrentou duas brigas com a Igreja Católica quando tentou levar a imagem de um Cristo mendigo, em 1989, e com esculturas do Kama Sutra, em 2004. O carnavalesco Chico Spinoza sofreu censura em 1998 quando foi impedido de usar a suástica. O símbolo entrou na Avenida com uma tarja preta: “Acho absurdo a Justiça permitir que uma classe judaica arranque página da história. É uma grande palhaçada.”
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