- No Brasil, podemos dizer que já existe Desenvolvimento Sustentável?
- Não. De forma alguma. Isso é um processo. Você mudar padrão de consumo, o modelo de desenvolvimento, as política públicas, isso leva tempo, que ainda não foi suficiente. Algumas questões são críticas, como a liderança. Quem está realmente comprometido com essa profunda mudança? Mas sem dúvidas houve avanços. No setor empresarial há alto poder de mudança. E ele está atento a isso.
Mas não vejo uma contrapartida clara no governo. Veja a questão da Amazônia. Ainda tem um governador de um estado que ao mesmo tempo é empresário e homem público. Ou é uma coisa ou outra. Como pode você ficalizar suas próprias empresas?
Mas vejo avanço nas editorias, no setor empresarial consciente. Até porque se não fizer vai à falência, porque não tem mercado para esse pessoal. A Nike quase foi à falência com trabalho escravo. Mas se pegar os inventários divulgados vê-se que ainda estamos na curva de degradação ambiental. Acho um equívoco culpar o etanol brasileiro pela crise de alimentos. Isso é uma janela de oportunidade para o Brasil. Mas não pode produzir colocando em risco outros ecossistemas, ou ter os biocombustíveis em cima de trabalho escravo.
- As empresas brasileiras não estão mais preocupadas com a sustentabilidade apenas de seus negócios?
- Essas coissas são juntas, o desenvolvimento sustentável é um paradigma que inclui desenvolvimento econômico e incorporando a manutenção dos serviços ambientais. E tem que haver processos de inclusão econômica, para incluir mais pessoas, reduzir padrões de miséria, fome.
- Dentro do setor empresarial a questão ambiental já pode ser considerada estratégica?
- Sem dúvida. O setor de bancos por exemplo que era muito refratário agora já está em índices de sustentabilidade, não aprovam projetos irregulares. A questão da sustentabilidade é subversiva, tem que inverter a ordem atual. Assim como Cristo também era. Lucro vai ter que ser visto de outra forma, hoje ele é excludente. O "L" vai ter que ser igual ao cifrao mais um "S" de sobrevivência. Uma parcela investida em serviços ambientais sem substituir governos democraticamente eleitos.
- Como o setor empresarial engajado recebeu a saída da ministra Marina?
- Do meu ponto de vista foi ruim. No mundo globalizado a questão da reputação é fundamental. Se pensar em um grau de investimento ambiental para a Amazônia ela dava. O que ela não conseguiu foi força dentro do governo para que a questão fosse incorporada à setores do próprio governo. O licenciamento é apenas um instrumento. Sob a ótica da sustentabilidade ele é a busca do ótimo. temos que pensar como manter os 20 milhões de seres humanos na Amazônia de forma digna sem roubar das futuras gerações. Derrubar para colocar gado, por exemplo, é um absurdo.
- O que acha do valor dado a um Ministério do Meio Ambiente?
- O Ministério do Meio Ambiente já é algo atrasado. No setor empresarial o assunto é tao estratégico que está na presidência. Se ficar apenas na questão ambiental vai virar filósofo. Tem que estar relacionado com a sociedade. Tem que oferecer insumos para a maquina produtiva, mas com limites. Ou nós nos preparamos para mudar o padrão de desenvolvimento ou isso vai ser mudado pela via da catástrofe. E é questao de tempo.