Rio - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou ontem o cancelamento do registro, em todo o Brasil, da apresentação de 100 mg do antiinflamatório Prexige (Lumiracoxibe), do laboratório Novartis. Já a de 400 mg foi suspensa por apenas 90 dias. A partir da publicação da proibição no Diário Oficial da União, quinta-feira, o produto de 100 mg será recolhido das farmácias. O Prexige é um dos antiinflamatórios mais usados no Brasil.
Na apresentação proibida (embalagens com 20 comprimidos), o uso é indicado para casos crônicos e com tratamento demorado. Já na de 400 mg (com 4 ou 7 comprimidos), o uso é para problemas mais agudos e pontuais, em que o remédio é tomado por poucos dias. Ao término dos 90 dias, a apresentação de 400 mg será submetida a nova avaliação.
Ainda segundo a Anvisa, os consumidores que estiverem utilizando o Prexige devem procurar seus médicos para que substituam o medicamento. O órgão alegou que a suspensão do Prexige foi motivada “pelas incertezas a respeito da segurança hepática do remédio”.
Também ontem, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo — onde o antiinflamatório está suspenso desde o dia 18 — começou a investigar a morte de um usuário do medicamento. O aposentado Pedro Cândido da Silva, 64 anos, morreu de hemorragia gastrointestinal 11 dias após ter tomado o remédio. Segundo a bula do Prexige, hemorragia gastrointestinal é uma das reações adversas. O relatório que apura se o Prexige foi a causa da morte será concluído em 30 dias. A Novartis divulgou nota informando que, “até o momento, não é possível afirmar que exista qualquer relação causal entre a morte do paciente e o uso do medicamento”.
BRASIL TEVE 35% DOS CASOS DE EFEITO COLATERAL
Entre julho de 2005 e abril de 2008, o laboratório Novartis contabilizou 3.585 casos de reações adversas associadas ao Prexige. Deste total, 1.265 foram registrados no Brasil, o que corresponde a 35% dos casos.
A diretoria da Anvisa avaliou ontem dois pareceres: um da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) e outro da área de Farmacovigilância da própria Anvisa. Os dois recomendaram o cancelamento do Prexige.
O Prexige teve seu registro aprovado no Brasil em julho de 2005 e já foi vendido em 35 países. Hoje, apenas cinco mantêm a sua comercialização: México, Colômbia, Equador, República Dominicana e Bahamas.