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03/12/2007 02:01:00

Brasil pioneiro na cura pelas células

Produção científica do País não deixa nada a desejar: está no mesmo nível de países como França e Alemanha

André Bernardo


Rio - Tetraplégicos retomam a sensibilidade dos pés, vítimas de lesões recuperam o movimento das mãos e pacientes diabéticos dizem adeus à insulina. O Brasil é pioneiro na criação de tratamentos para lesões na coluna vertebral, cirurgia de mão e diabetes, entre outras doenças. A cardiologia, porém, é a área mais desenvolvida. Um estudo financiado pelo Ministério da Saúde e coordenado pelo Instituto Nacional de Cardiologia (INC) reúne mais de 40 centros de pesquisa e 1,2 mil pacientes voluntários em todo o País.

Desde 1999, 64 projetos envolvendo células-tronco já foram aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para 32 instituições brasileiras. Estima-se que pelo menos 300 brasileiros já foram submetidos a experiências terapêuticas com células-tronco adultas, a maioria com excelentes resultados. O estudante Welton dos Santos Lopes, de 24 anos, o piloto de motocross Paulo Polido, de 27, e a professora Sueli D'Angelo Borges, de 47, são alguns bons exemplos.

O estudante Welton dos Santos Lopes realizou o sonho de todo diabético: não precisar mais tomar insulina todos os dias. Ele é um dos 13 voluntários de uma terapia revolucionária com células-tronco realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Desde junho de 2003, Welton não faz mais uso das injeções que controlam o nível de açúcar no sangue.

“Quando descobri que era diabético, meu índice chegava a 500 mg/dl. Não por acaso, tomava insulina três vezes por dia. Desde que fui submetido à terapia com células-tronco, a minha glicose continua na faixa dos 80 mg/dl. Hoje, posso até me dar ao luxo de comer chocolate de vez em quando”, brinca.

A exemplo de Welton, Paulo Polido também não hesita em dizer que as células-tronco mudaram a sua vida. Vítima de um acidente de moto que o deixou paraplégico aos 19 anos, o piloto de motocross, hoje com 27, não sossegou enquanto não voltou a andar. Obstinado, chegou até a se inscrever como voluntário em uma pesquisa com células-tronco no Hospital das Clínicas, em 2002. Do grupo de 30 voluntários, Paulo é o que apresenta a melhor recuperação.

“Sou a prova viva de que pesquisa com célula-tronco pode dar certo. Às vezes, nem consigo dormir direito de tanto que a minha perna formiga à noite. Estou tão confiante que não vejo a hora de andar de moto novamente. Nem que seja só uma voltinha”, graceja Paulo.
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