São Paulo - A Market Analysis, instituto de pesquisa e opinião pública, apresenta os resultados do estudo ”Os Brasileiros Diante das Mudanças Climáticas – Imaginando o Impacto do Aquecimento Global”. Nele, constatou-se que as pessoas sentem-se mais alarmadas do que informadas, enquanto o discernimento entre o que pode e deve ser feito está sujeito a ambigüidades e dúvidas Para se chegar a esta conclusão, foi analisada a visão da população diante do quadro de conseqüências cotidianas, propondo reflexão sobre a percepção do fenômeno ambiental e a capacidade de mudar esta situação.
A inquietação sobre os prováveis efeitos negativos derivados do aquecimento global fica clara quando se expõem questões como problemas de saúde humana, secas e escassez de recursos como água potável, perda de flora e fauna com a extinção de várias espécies, aumento do nível do mar e padrões climáticos extremos. Além de apontar para a combinação de alguns destes pontos ou de todos eles juntos, o fator mais temido e esperado pelo brasileiro é a seca com a escassez de água (23%), seguido pela extinção de espécies (16%) e um clima cada vez mais radical (14%).
Segundo Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis, os consumidores do país revelam um quadro misto de certezas e conflitos sobre o desafio da sustentabilidade ambiental. “Apesar de as opiniões estarem divididas, – 52% não acreditam que as mudanças climáticas sejam um problema tão grave, enquanto 46% apresentam real preocupação com o assunto –, os brasileiros emergem como o povo mais autoconfiante sobre o tema entre os que pertencem a sociedades em desenvolvimento”, afirma Echegaray. “Existe uma fraca associação entre perceber o fenômeno ambiental como crítico no plano pessoal e se sentir capaz de mudar a situação”, contrapõe.
No Brasil, 40% das pessoas sentem-se suficientemente competentes para realizar mudanças pessoais que ajudam a alterar a desordem ambiental. Porém, ao focar naqueles que exibem fortes percepções sobre o assunto, a incidência atinge apenas 16,1%, considerados como a minoria consciente e efetivamente mobilizada. Este grupo se diferencia dos demais pelo maior nível de informação sobre o aquecimento global, e por seu alinhamento favorável com as ações de ONGs, especialmente se ambientais ou filantrópicas.
Percepção mundial
Apesar de não se sentirem vítimas do fenômeno, os países desenvolvidos concentram o maior número de consumidores com sentimentos de competência pessoal para lidar com a situação. No outro extremo, a grande massa de países emergentes percebe-se como vítima das mudanças climáticas, sem condições de dar resposta eficaz.