Mortes este ano já são quase um terço das registradas pela doença em todo o ano de 2007
Rio - Em menos de dois meses, a dengue já matou quase um terço do total de vítimas de 2007. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou ontem a oitava morte pela doença no Rio de Janeiro em 2008 — sete foram registradas na capital e uma em Caxias. Ano passado, o número de vítimas fatais chegou a 30. Das oito mortes já registradas este ano, seis foram crianças até 14 anos.
O número de casos notificados de dengue hemorrágica — o tipo mais grave da doença — em janeiro também foi seis vezes maior que o registrado no mesmo período no ano passado. Segundo dados da secretaria, 42 casos de dengue hemorrágica foram confirmados no mês passado, contra sete no mesmo período de 2007. A maioria dos casos de dengue hemorrágica este ano foi registrada no município de Duque de Caxias: 28. Na capital, foram sete casos. Também registraram casos da doença os municípios de São João de Meriti (três), Belford Roxo (dois), Magé (um) e Nova Iguaçu (um). “O que podemos observar é que aumentou o número de casos do tipo mais grave da dengue entre as crianças. Para piorar a situação, ainda tivemos um verão bastante atípico, com chuvas fortes e constantes. Este verão foi péssimo para nós, mas excepcional para o mosquito”, avalia o superintendente de Vigilância em Saúde da secretaria, Victor Berbara.
Secretário Municipal de Saúde de Caxias, Oscar Berro ressalva que nem todos os 28 casos notificados serão confirmados. Segundo ele, na maioria dos casos, os sintomas da dengue podem ser confundidos com leptospirose ou meningite.
“Em janeiro de 2007, notificamos mais de 100 casos da doença. No fim das contas, apenas 10 foram confirmados. Não me preocupo com o número elevado de notificações em Caxias e, sim, com o número reduzidos em outros municípios. Não por acaso, os bairros com maior índice de infestação são os que fazem fronteira com Rio, São João de Meriti e Belford Roxo”, afirma.
A pediatra Elane Meirelles Laurito, 54 anos, já figurou em estatísticas de casos notificados de dengue hemorrágica. Moradora da Piedade, passou oito dias internada numa clínica particular por causa da doença. “Tudo começou com as tradicionais dores na cabeça, febre e enjôo. A princípio, achei que fosse uma gripe. Mas, quando as plaquetas chegaram a 28 mil, tive que ser submetida a uma transfusão de sangue. Hoje estou me tratando de hepatite causada pelo vírus da dengue, que destruiu células do meu fígado.”
Guerra ao mosquito em São Gonçalo
O Departamento de Controle de Zoonose, da Vigilância Sanitária, realizou ontem mais um mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti em São Gonçalo. Cerca de 60 agentes da saúde ambiental percorreram três mil casas no bairro Jardim Catarina, um dos mais pobres do município.
A Secretaria Estadual de Saúde já estuda a possibilidade de abrir leitos para pacientes com dengue no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Desde o ínicio do ano, o governo do Estado já disponibilizou 54 vagas no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, e no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel.
Em Duque de Caxias, o Hospital Ismélia da Silveira, o único pediátrico da Baixada Fluminense, disponibizou, desde o início do ano, 30 leitos para casos de dengue em crianças. Unidades federais, como o Hospital de Jacarepaguá, o Hospital Geral de Bonsucesso e o Hospital do Andaraí, também abriram leitos para pacientes com a doença.