Rio - A epidemia de dengue que atingiu o Rio no ano passado matou mais pessoas do que ao longo dos 17 anos anteriores no estado. Segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, pelo menos 240 pessoas morreram em 2008 devido à doença. Desde 1990, quando a dengue matou 15 pessoas no Rio, até 2007, tinham sido registrados 186 óbitos.
Os números mostram ainda que a dengue matou quase três vezes mais no ano passado do que em 2002, quando também ocorreu grande epidemia. Na ocasião, houve 91 vítimas fatais. Na capital, o número de mortos em 2008 foi de 159, em comparação aos 64 do ano de 2002.
“A epidemia de 2008 foi a mais grave que o Brasil já teve. O risco de uma pessoa que teve a doença morrer foi três vezes maior do que na epidemia de 2002. E isso pode ser explicado por duas razões. Uma delas é a tendência ao agravamento dos casos de dengue. A segunda é o fato de o governo do município não ter assumido desde o início o processo epidêmico, não ter alertado a população para que buscasse as unidades de saúde nos primeiros sintomas e não ter organizado a assistência”, afirma o epidemiologista Roberto Medronho, chefe do departamento de Medicina Preventiva da UFRJ.
Especialista em mosquitos, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Anthony Érico Guimarães considera “absurdo” o número. “Não é normal uma pessoa morrer por dengue, e 240 é um absurdo, porque a taxa de letalidade da dengue deveria ser zero. Quando se tem o tratamento e o diagnóstico adequados, o risco de morte é zero”, explica o especialista.
Segundo ele, o tratamento deve incluir repouso e hidratação. “A dengue diminui a quantidade de plaquetas e, por isso, há aumento da permeabilidade dos vasos sangüíneos, facilitando perda de líquido da circulação para o organismo. O sangue mais espesso dificulta a circulação, provoca queda de pressão e causa choque hemorrágico e morte. Hidratação é o melhor remédio”, afirma Guimarães.
Ainda há outros 56 casos sob investigação
O número de mortes por dengue ocorridas em 2008 ainda pode aumentar para até 296. Outros 56 casos ainda estão sendo investigados. “A letalidade da dengue no ano passado certamente foi maior do que em 2002”, admitiu o superintendente de Vigilância em Saúde do estado, Vitor Berbara, acrescentando que o vírus tipo 2, que circulou ano passado, é um dos mais agressivos.
Para tentar evitar que a tragédia cause mais vítimas esse ano, cerca de 90 agentes de endemias e 60 bombeiros sairão em busca de focos do Aedes aegypti nos bairros São Francisco Xavier e Rocha, entre os dias 21 e 24. Em São Gonçalo, cem homens da Marinha começam segunda-feira a atuar no combate a dengue. A ação começa às 9h na praça da Trindade. Outros 17 bairros do município também receberão os agentes.