Desperdício em hospital de Caxias
Máquina para exames está parada no pátio desde inauguração da unidade. Sindicato dos Médicos vai processar a prefeitura
Rio - A célula de um equipamento de ressonância magnética, avaliada em R$ 1,5 milhão, espera ao relento, no pátio do Hospital Municipal Moacyr do Carmo, em Duque de Caxias, a conclusão da obra da sala onde será instalada. O aparelho, envolto em plástico e fitas adesivas, está do lado de fora do hospital desde que a unidade foi inaugurada, em 13 de setembro, em solenidade que contou com as presenças do presidente Lula, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e do governador do Rio, Sérgio Cabral.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, disse que a entidade vai entrar com ação por improbidade administrativa no Ministério Público Estadual contra o prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. “Como podem inaugurar um hospital sem que esteja funcionando 100%?”, questionou Darze.
Ele lembrou que o equipamento está exposto à ação do tempo e corre o risco de ser danificado. Segundo Darze, o custo total de uma máquina de ressonância magnética é R$ 2,5 milhões. Ele acrescentou que, depois da inauguração, o hospital já teve 50 monitores roubados.
O secretário municipal de Saúde de Caxias, Oscar Berro, disse que a célula do equipamento de ressonância magnética só poderá ser levada para dentro da unidade quando a sala estiver pronta, em 20 dias: “Até lá, o equipamento estará bem protegido, lacrado e com revestimento de blindagem. Será o primeiro aparelho de ressonância magnética em hospital público no estado”.
Sobre o furto de 50 monitores, Berro disse que há um inquérito administrativo para apurar se houve responsabilidade de funcionários. A Polícia Civil também está investigando o caso.
MODERNO
O Hospital Municipal Moacyr do Carmo custou R$ 72 milhões aos cofres públicos e foi considerado, durante a inauguração, como a mais moderna unidade pública de saúde do estado. Em fiscalização logo após a eleição, o prefeito eleito, José Camilo Zito, disse que ia pedir mais recursos federais e estaduais, por considerar que o município não teria condições de gerir a unidade. A estimativa de atendimento é de 20 mil pessoas por mês e o custo mensal para o município, de R$ 3,5 milhões.
MAMÓGRAFOS SUBUTILIZADOS
A subutilização de mamógrafos foi discutida, ontem, na abertura da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Mama. O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ricardo Chaves, afirmou que os mamógrafos da rede privada fazem cerca de 50 mamografias por dia. Já os da rede pública realizam, em média, 16. “Temos notícia de aparelhos que sequer saíram da caixa”, disse ele, que propôs que seja feita investigação sobre os motivos da subutilização. A falta de uso não é o único problema. Segundo pesquisa do Inca, mostrada ontem em O DIA, 6 em cada 10 mamografias têm erros.
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