Rio - De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) há cerca de 200 milhões de diabéticos no mundo. Até 2030, projeta-se que esse número chegue a 366 milhões. A patologia, caracterizada por uma disfunção ou ausência de insulina no organismo, provocando o aumento das taxas de glicose no sangue, apresenta-se de duas formas: a de tipo 1 (hereditária e que se revela nas primeiras fase de vida) e a mais comum, de tipo 2 (desenvolvida por aqueles que têm pré-disponibilidade genética ou que apresentam excesso de peso ou obesidade abdominal, entre outros fatores).
Em ambos os casos, o diabético deve controlar a sua glicemia (taxa de glicose no sangue) por meio de dieta e exercícios físicos e tomar medicamentos, como a insulina, para mantê-la normalizada. De acordo com especialistas, os sintomas da doença vão desde sede às infecções freqüentes.
“A palavra de ordem para evitar o aparecimento dessa doença é prevenção. Hoje, para cada diabético tipo 1, há 10 do tipo 2”, alerta José Egídio Pires, chefe do serviço de nutrologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Atualmente, 250 pacientes são atendidos por mês no hospital, que recebe encaminhamento de toda rede pública de saúde do Rio de Janeiro para esse tipo de tratamento.
Entre os mais propensos a desenvolver a diabetes estão os indivíduos sedentários ou com elevado percentual de gordura visceral (na região intra-abdominal). Para esse público, o HUCFF vai realizar uma pesquisa de abrangência internacional para oferecer o tratamento preventivo, a partir da ingestão de um medicamento inovador, o Rimonabanto. A droga atua no sistema nervoso central, no tecido gorduroso, e reduz os níveis de glicose, colesterol e triglicerídios, além de restringir a obesidade e, principalmente, o acúmulo de gordura abdominal. “O que o estudo pretende comprovar é que a ingestão desse medicamento reduz significativamente os riscos do paciente desenvolver a diabetes tipo 2”, informa José Egídio.
A meta do HUCFF é recrutar 20 participantes para o estudo. Embora esteja em fase experimental no Brasil, o Rimonabanto já é comercializado na Europa e em alguns países da América do Sul. No entanto, o medicamento é contra-indicado para indivíduos em tratamento psiquiátrico ou com histórico de depressão. “Os voluntários para essa pesquisa no HUCFF receberão acompanhamento com consultas trimestrais e serão submetidos a uma dieta. Dessa maneira, poderemos assisti-los em todas as fases da pesquisa” complementa o médico.
Como participar
Os candidatos devem apresentar diagnóstico de diabetes e possuir glicemia de jejum entre 100 e 125mg/dl, além de obesidade abdominal. Não poderão participar da pesquisa, pessoas com diagnóstico de diabetes, gestantes ou mulheres que pretendem engravidar no período de um ano, pessoas em tratamento para obesidade, com suspeita de doença psiquiátrica ou histórico de uso abusivo de álcool.
Para se increver, basta ligar para 2562-2730, diariamente, até o meio-dia.