Rio - Diabética, a dona-de-casa Maria de Fátima Marques, 52 anos, furou o pé com um prego na segunda-feira de Carnaval. Preocupada porque não havia sido vacinada contra o tétano, ela fez uma peregrinação em busca de uma antitetânica: foi no Hospital da Vila Militar e em dois postos de saúde, mas não conseguiu a vacina.
“Achei um absurdo. No hospital, o médico disse que a vacina só está disponível para pacientes que passarão por cirurgias. No Posto de Saúde de Guadalupe, me disseram que não tinha atendimento e que deveria voltar na quarta-feira à tarde. O Posto de Anchieta estava fechado”, diz ela, que procurou o atendimento na terça-feira de Carnaval.
Com o pé muito inchado, Maria de Fátima precisou recorrer a uma clínica privada para conseguir ser vacinada com uma antitetânica. “Tive que contar com a ajuda do meu genro, que pagou R$ 30 pela primeira dose da vacina. Muita gente pode passar pelo mesmo problema e não ter alguém para ajudar. Se não fosse ele, eu não teria o dinheiro e estaria correndo riscos”, diz, ainda preocupada com as outras doses que precisa tomar.
Imunização a cada 10 anos
Sem conseguir andar direito devido ao acidente doméstico, Maria de Fátima agora teme uma infecção mais grave. “Estou usando antibióticos, mas o pé não está melhorando”, diz ela.
Segundo o médico Edimilson Migowski, diabéticos têm mais risco de sofrer problemas nos pés mesmo após ferimentos simples. Em relação ao risco de tétano, ele lembra da importância de se tomar todas as doses recomendadas. “O ideal é que a pessoa esteja com a vacinação em dia. Geralmente, os adultos não lembram de renovar a imunização”, diz, acrescentando que a antitetânica deve ser renovada a cada dez anos.
Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que todos os postos de saúde têm antitetânica. Alegou ainda que os postos estavam funcionando normalmente durante o Carnaval.