RIO - A novela Duas Caras, da TV Globo, quer prestar um serviço à população, ao divulgar um problema que atinge milhares de crianças e adolescentes: a dislexia. Clarissa, personagem da atriz Bárbara Borges, é portadora da doença — caracterizada como um distúrbio de aprendizado. Pessoas disléxicas, como são chamadas por especialistas, têm dificuldades para ler, escrever e soletrar. Elas representam cerca de 15% da população mundial.
A neurologista Marcia Peres, do Hospital Balbino, explica que a dislexia é genética e não tem ligação com o nível de inteligência. “Os pacientes aprendem de uma maneira diferente. Eles levam mais tempo. Apesar disso, a maioria apresenta um alto grau de inteligência”, explica ela.
Sintomas
Os portadores do problema também podem apresentar disgrafia (letra feia), dificuldades em seguir indicações de caminhos, executar seqüências de tarefas complexas e aprender uma segunda língua. “Muitos também não conseguem distinguir o que é direita e esquerda”, completa a neurologista.
Segundo ela, há uma deficiência no mecanismo da visão. “O disléxico lê mal. A leitura é lenta e sofrível, pois o movimento ocular dele é diferente. O fato da criança ou do adolescente ser hiperativo (excessivamente ativo) também pode influenciar”, diz.
Problema deve ser tratado por profissionais de várias áreas
A dislexia é tratada por uma equipe multidisciplinar, formada por neurologista, fonoaudiólogo, professores, psicopedagogo, oftalmologista e otorrino. A avaliação é detalhada.
“O ideal é que os pais tentem identificar a doença em casa, lendo livros com os filhos. Se a dificuldade de leitura for constatada, não trate o problema como algo negativo. Procure um médico. Há registro de crianças que entraram em depressão e até se mataram porque foram ‘colocadas’ como inferiores”, explica Marcia Peres.
Como em Duas Caras, onde Clarissa vai contar com a ajuda da mãe, Célia Mara (Renata Sorrah), o incentivo durante a aprendizagem é fundamental. “Há melhora, se houver paciência”, conclui a médica.