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14/2/2008 01:27:00

Doente paga por remédio

Paciente queimado é obrigado a comprar substância em falta na rede pública de saúde

João Ricardo Gonçalves


Rio - A família de pelo menos um paciente do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, está usando dinheiro do próprio bolso para comprar albumina — proteína humana que ajuda na recuperação de queimaduras. A falta da substância no estoque do hospital já dura mais de 6 meses, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado.

Ontem, Sílvio Alves de Souza, pai do paciente Rubismar Ferreira de Souza, 32 anos, disse que está gastando centenas de reais com o medicamento. Internado desde janeiro no CTQ , quando um incêndio em sua residência em Itaguaí o deixou com várias queimaduras, Rubismar é um dos seis pacientes atualmente no CTQ.

“Tenho recorrido à ajuda dos patrões dele, que é garçon, e de amigos da família, mas a situação é difícil. Três frascos custam cerca de R$ 380 e ele tem que usar o remédio, como um soro, todos os dias”, queixa-se Silvio.

Segundo o Sindicato, em janeiro a direção do Pedro II havia solicitado, através de e-mail, ao chefe das emergências da rede, Carlos Edson Martins da Silva, 56 frascos de albumina a fim de evitar que dois jovens, de 16 e 17 anos, piorassem por falta da proteína. “A situação de nosso CTQ está crítica por falta de albumina”, dizia o texto.

A Secretaria Estadual de Saúde confirma que seus estoques de albumina não estão regulares desde o ano passado, por causa de uma crise de abastecimento nacional do plasma sanguíneo — uma das matérias primas. Ano passado, ao identificar o desabastecimento de imunoglobina, que depende do plasma, o Ministério da Saúde orientou as secretarias de saúde para o uso racionalizado da substância. A secretaria diz que está buscando novos fornecedores e que casos graves são atendidos.

MATERNIDADE

Vistoria do Sindicato dos Médicos, realizada ontem na Maternidade Municipal Alexander Fleming, em Marechal Hermes, revelou déficit de obstetras, falta de CTI, técnicos e vagas. Após dar à luz, mulheres estariam esperando leitos em macas e cadeiras na unidade.
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