Niterói - A emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, passou a sexta-feira fechada. Na porta da unidade, uma das principais no atendimento de emergência na cidade, um cartaz dizia que não havia clínicos, ortopedistas, neurocirurgiões e oftalmologistas no plantão.
“Estou me sentindo muito mal, com sensação de desmaio e não tem médico”, disse Ana Carla Oliveira, 22 anos, que chegou ao hospital apoiada em um colega.
Com um problema oftalmológico provocado por um acidente, Aldelir da Silva, 33 anos, também não foi atendido. “Eu bati com o rosto no vidro, fui operado aqui, mas não estou suportando a dor. Meu olho está latejando. Disseram que só vai ter médico à noite. Vou ter que voltar mais tarde”, contou. “Ultimamente não tem sido fácil ser atendido aqui”.
Sem conseguir andar devido a um problema na perna recém-operada, o comerciante Marcelo de Araújo, 44 anos, nem tentou entrar no hospital para tentar atendimento. Ao ver os cartazes, resolveu procurar outra unidade. “O Antônio Pedro é um grande hospital. Não pode faltar médico”, criticou.
Gerente administrativo da emergência, Guilherme Costa de Oliveira admitiu o problema. Mas garantiu que pacientes com risco de vida não deixaram de ser atendidos. “Pessoas com risco de vida são socorridas. Não estamos fazendo atendimento de emergência clínica. O que não podemos é deixar de socorrer alguém com uma parada cardíaca para atender outro com cólica”.
Solução só no mês que vem
Os pacientes que voltaram da porta do hospital não são os únicos sem atendimento. Segundo o cartaz fixado na entrada, doentes graves internados também não estão sendo devidamente atendidos. “Estamos com pacientes possivelmente graves no corredor de emergência sem avaliação médica do dia”.
O documento, carimbado pela coordenação da emergência, dizia ainda: “O atendimento clínico está temporariamente interrompido até que os pacientes internos estejam atendidos e fora de risco.”
Segundo Guilherme Costa de Oliveira, o problema da falta de médicos no Hospital Universitário Antônio Pedro será resolvido em fevereiro. “Fomos impedidos pelo Ministério Público de renovar contratos temporários. Mas fizemos concurso público e novos médicos chegarão em fevereiro”, diz.