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3/4/2008 17:48:00

Emissões da UE se mantiveram estáveis em 2007

Rio - Dados preliminares divulgados ontem pela Comissão Européia mostram que as emissões industriais da União Européia se mantiveram estáveis em 2007. Como esperado, as emissões estiveram abaixo da cota de permissão de emissões de gases do efeito estufa (GEE) estabelecidas pelo Esquema de Comércio de Emissões (EU ETS). Os dados preliminares são referentes a 95% das emissões do último ano.

Pelo EU ETS, cada país do bloco europeu recebe um total de permissões de emissões, chamadas EUAs. A Comissão Européia cortou a alocação EUAs em cerca de 9% para o período de 2008 a 2012, a chamada Fase 2 do EU ETS. Como as emissões reais se mantiveram praticamente inalteradas no último ano, isto não subverteu as expectativas de falta de EUAs em 2008.

“Eu espero uma falta neste ano simplesmente porque as alocações caíram drasticamente”, disse à Reuters o analista do banco holandês Fortis Kris Voorspools, adicionando uma estimativa de que as emissões das indústrias da UE nos seis maiores países tenham crescido 1,2% no último ano.

Porém a consultoria New Carbon Finance estima que as emissões tenham caído 0,25%. Enquanto os preços de carbono caíram para abaixo de um euro em 2007, as EUAs para entrega em 2008 foram comercializadas com uma alta de 88 centavos hoje, em 23,4 euros, e analistas esperam que subam ainda mais.

Isto provocaria um aumento no preço da eletricidade para todos os cidadãos do bloco uma vez que as empresas geradoras de energia passam estes custos para o consumidor.

Isto também aumentaria os custos nas participações em negócios que devem comprar permissões para cobrir as próprias emissões acima de uma certa cota, incluindo empresas geradoras elétricas, indústrias de petróleo, gás, celulose, papel, aço e cimento.

Críticas

“Pelos números, parece que as emissões estão subindo e isto prova que o comércio de emissões não funciona, o que significa que não estamos protegendo o clima”, disse Mahi Sideridou, do Greenpeace.

Sideridou diz que os dados também mostram que é importante corrigir os problemas do esquema. “O principal problema é que não existe um limite de emissões padrão então não há objetividade em como as emissões deveriam estar caindo na EU e no setor de comércio de emissões”, afirma.

Segundo análises da Agência Reuters, o suprimento de EUAs excedeu em 1,5% as emissões reais em 2007 até agora reportadas, que somam 1,884 bilhões de toneladas.

Uma crítica contínua ao EU ETS é que os negócios afetados recebem as permissões praticamente de graça, em uma cota inicial entregue pelos estados membros da União Européia.

Isto permitiu que fornecedoras de eletricidade por toda a Europa obtivessem lucros de dezenas de bilhões de euros repassando os custos de permissões gratuitas até 2013, quando a Comissão propôs que as fornecedoras de serviços não recebessem alocações de graça.

O mercado de carbono europeu de 28 bilhões de euros é o centro de um mercado global de 40 bilhões de euros que espera-se seja devorado pelo esquema federal dos EUA, apoiado por todos os candidatos a presidência do país.

Abaixo segue dados, por país membro, de emissões de CO2 verso as cotas de permissões, excluindo os dados incompletes, em milhões de toneladas. Também informa se houve sobra de permissões ou falta e o percentual em relação ao total de permissões alocadas.

Alemanha tem as indústrias mais poluentes

Pelo Segundo ano consecutivo, sete das doze instalações mais sujas da Europa estão na Alemanha, segundo os dados da comissão européia. A usina energética de carvão RWE AG, de Niederaussem, encabeça a lista, despejando 31,3 milhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, mesma quantidade de toda a Croácia. A RWE é proprietária de quatro das sete maiores poluidoras, somando 87,3 milhões de toneladas de CO2 anuais, praticamente o mesmo que Portugal.

A empresa campeã de 2006, a polonesa Belchatow S.A, aparece em segundo lugar, emitindo anualmente 28 milhões de toneladas de CO2. Dentre as 12 maiores emissoras, 11 são geradoras de energia e, pela primeira vez, aparece na lista uma indústria de aço, de propriedade da ArcelorMittal.

Com exceção da britânica Drax Power Station, que foi forçada a comprar 7,6 milhões de créditos de carbono, as permissões alocadas para as instalações em média excedem as emissões verificadas em 54.300 toneladas.

As informações são do site Carbono Brasil

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