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29/11/2008 20:10:00

Enfrentando a menopausa sem crise

Causa de tanto desconforto se deve à paralisação dos ovários que, com o fim do ciclo reprodutivo, deixam de produzir os hormônios estrogênio, progesterona e testosterona

Gislandia Governo


Rio - Ondas de calor incontroláveis, mudanças de humor, insônia e perda da libido, entre outros sintomas, podem fazer da menopausa uma das fases mais delicadas na vida das mulheres acima de 50 anos. Muitas sentem alívio pelo término definitivo da menstruação. Porém, nem todas passam por essa fase com tranqüilidade, e precisam de auxílio médico.

A causa de tanto desconforto se deve à paralisação dos ovários que, com o fim do ciclo reprodutivo, deixam de produzir os hormônios estrogênio, progesterona e testosterona. Com o fim da menstruação, a mulher, então, passa a experimentar várias sensações provocadas pela queda hormonal.

“Uma das primeiras coisas que ocorrem quando os ovários começam a falhar é a irregularidade na menstruação, até ela cessar de vez. Aliado a isso haverá outros efeitos no organismo, que começam no sistema nervoso. Há também os calores, que se devem à baixa do estrogênio, o que faz com que o sistemo termo-regulador entre em pane”, explica o ginecologista Luiz Fernando Dale.

Os sintomas variam de mulher para mulher. “Algumas sofrem muito desconforto. Outras passam pela menopausa sem sentir quase nada”, diz. Quando os sintomas são extremamente desconfotáveis, o indicado é a terapia de reposição hormonal (TRH). “Mas o que se faz hoje é avaliar a qualidade de vida no climatério (pré-menopausa) e na menopausa para decidir a necessidade da TRH”, diz o ginecologista Armando Villanova Soares.

ALTERNATIVAS

Para mulheres que não podem fazer reposição, é feita prescrição de ansiolíticos ou antidepressivos em casos de depressão, ansiedade, irritabilidade e insônia. Outras alternativas são: homeopatia para melhorar o sono e a memória, acupuntura para reduzir os calores, e consumo de soja. “Por conter isoflavona, fitormônio que ajuda na regulação hormonal, a soja alivia sintomas agindo, principalmente, contra os calores. E ela ainda ajuda a controlar osteoporose”, destaca a nutricionista Patrícia Bertoni.

A atriz e empresária Tânia Alves, 57 anos, é exemplo de como a mulher pode enfrentar a menopausa. “Entrei na menopausa aos 52 e não tive sintomas. Nem quis saber de reposição hormonal. Devo isso ao meu estilo de vida saudável. Sou vegetariana, pratico atividades físicas, meditação, tenho atitudes positivas e muito contato com a natureza, o que me dá vigor. E, sexualmente falando, a menopausa me trouxe liberdade. Posso usufruir da sexualidade sem neura de engravidar”.

LÍGIA AZEVEDO: ADEPTA DA REPOSIÇÃO

A empresária Lígia Azevedo, 67, esbanja beleza. Quando entrou na menopausa, aos 50, recorreu à reposição hormonal. “Faço até hoje. Me faz um bem enorme”, conta Lígia, que não dispensa outros cuidados para ficar bem. “Faço caminhadas, me alimento bem e não descuido dos exames de rotina”, ensina.

A terapia de reposição hormonal é indicada para a maioria das mulheres na menopausa. Mas ainda levanta dúvidas quanto aos riscos. “A possibilidade de aumentar o risco de câncer de mama foi motivo de preocupação por muito tempo. No entanto, não foi estabelecida uma relação clara entre a terapia e a doença”, comenta o ginecologista Armando Villanova Soares.

“Atualmente, a reposição se baseia numa quantidade mínima, suficiente para eliminar os sintomas. Mas é importante que a mulher seja criteriosamente avaliada para que sejam excluídos os fatores de risco. E deve haver controle durante todo o tratamento: preventivo a cada seis meses, mamografia anual e exames de sangue”, destaca o ginecologista Luiz Fernando Dale.
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