Rio - Todo mundo sabe que é preciso ir ao dentista pelo menos uma vez a cada seis meses para manter os dentes limpos e saudáveis. Mas cumprir essa obrigação muitas vezes custa caro. Para quem se preocupa em exibir sempre um belo sorriso, mas não pode pagar consultas e tratamentos onerosos, algumas instituições oferecem serviços com preços abaixo do mercado e até gratuitos.
A Associação Brasileira de Odontologia (ABO), universidades e profissionais voluntários da ONG Dentistas do Bem são alguns desses prestadores de serviços: atendem casos de implante, cirurgia e até estomatologia - especialidade que se utiliza de biópsias para detectar doenças como afta, herpes e até câncer de boca. Assim, quem não tem acesso aos consultórios particulares também pode manter a higiene e a saúde bucal.
No ano em que comemora 70 anos, a ABO ampliou os serviços gratuitos que oferece à população. A associação é responsável pelo Centro de Odontologia Integrada e Comunitária, que funciona desde 2003 e atende cerca de 130 pessoas por dia. Além dos tratamentos de extração, restauração e próteses dentárias, a clínica popular oferece cirurgias e serviços de estomatologia, sem nenhum custo para o cliente.
De acordo com a especialista em Estomatologia Águida Miranda, esse é um serviço pouco realizado pela rede pública e que grande parte da população desconhece: “Muita gente não sabe que existe essa especialidade, inclusive alguns dentistas”. A clínica é uma solução para quem não pode pagar o tratamento. “Aqui são realizados exames e biópsias que poderiam custar até R$ 400 em consultórios particulares”, explica o o responsável pela equipe de Estomatologia da clínica, Fábio Pires. Desde março já foram avaliados 40 casos — desses, cinco foram diagnosticados como câncer de boca, doença que pode levar à morte se não for tratada desde cedo.
A clínica popular, no Rio Comprido, também atende casos mais simples. A diarista Gislaine Silva Soles, 25 anos, não freqüentava o dentista antes de conhecer o Centro. “Cheguei com dor de dente, cáries e tártaro. Antes, eu sentia dor, tomava um remédio, mas o dente continuava doendo. Eu não tinha condições de pagar uma consulta. É muito caro”, conta a jovem.
A ABO não é a única a fornecer serviços odontológicos aos que precisam. Algumas faculdades oferecem tratamentos a preços populares. O Centro Odontológico da Faculdade Estácio de Sá tem assistência odontológica gratuita ou com preços baixos para quem não pode pagar. “Fazemos implantes por valores diferenciados e cobramos apenas o material e uma pequena taxa cirúrgica. Aqui, o paciente paga cerca de R$ 350, enquanto em uma clínica particular pagaria até R$ 2 mil”, explica o coordenador-geral de Odontologia da faculdade, Luis Antônio Eberienos.
O mesmo serviço também é oferecido por outras instituições, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que inaugurou há uma semana uma nova clínica. Atendidos por alunos de graduação e de pós-graduação — devidamente supervisionados por professores especializados —, os pacientes pagam preços baixos, apenas para cobrir os custos. Segundo a diretora da Faculdade de Odontologia, Hilda Maria Ribeiro de Souza, nas clínicas da Uerj são atendidos cerca de 250 pacientes por dia.
Em Duque de Caxias, além dos serviços convencionais, a Unigranrio disponibiliza tratamentos para bebês de 0 a 2 anos e pacientes especiais. Na Bebê-Clínica, a saúde bucal recebe atenção desde cedo. “No Brasil, cerca de 50% das crianças apresentam cáries antes dos 3 anos”, diz o coordenador do setor na universidade, José Miasato. Na Clínica de Pacientes Especiais, uma equipe multidisciplinar usa brincadeiras, conversas e histórias para atender gestantes e crianças e adultos que sofrem de Síndrome de Down, autismo, paralisisa cerebral, Aids, esquizofrenia e outras doenças. Tudo sem doer na boca e no bolso.
Profissionais que fazem o bem
Além dos serviços oferecidos pela ABO e pelas faculdades, as crianças e adolescentes da rede pública de ensino podem ser beneficiados pela ONG Dentistas do Bem. A organização não-governamental é formada por cirurgiões-dentistas que oferecem atendimento gratuito em seus próprios consultórios.
Já são 1.351 voluntários trabalhando e aproximadamente 950 jovens atendidos em todo o País. Cada município conta com um coordenador regional, que é responsavel pela triagem desses novos pacientes nas escolas públicas. “Há dentistas cadastrados que ainda não podem atender porque na sua região não há um coordenador. É o caso do Acre e do Ceará”, explicou o coordenador-geral da ONG, Rodrigo da Costa Aguiar.
Segundo ele, além de procedimentos odontológicos preventivos e curativos, o projeto tem como objetivo mudar hábitos do paciente e de seus familiares.
No Rio, o programa começou em março e já conta com 30 dentistas, que atualmente atendem crianças da Escola Municipal Orsina da Fonseca, na Tijuca. A coordenadora regional, Carmen Cristina Falcon, acredita que em pouco tempo a ONG terá mais voluntários e ajudará mais jovens: “É só doar um horário da agenda, sem precisar sair do consultório e ir a uma comunidade. Se cada dentista doar uma hora do seu dia, resolvemos grande parte do problema de saúde bucal da cidade”.
CONFIRA ONDE BUSCAR ATENDIMENTO
A.B.O.
De segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h.
Inscrições: 2293-3017
ESTÁCIO DE SÁ
De segunda a sexta-feira das 8h às 22h.
Inscrições: 2199-2317
UERJ
De segunda a sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h.
Inscrições: 2587-6387
VEIGA DE ALMEIDA
MC>De segunda a sexta-feira, das 7h às 21h.
Inscrições: 2502-3238
UNIGRANRIO
De segunda a sexta-feira das 8h às 21h.
Inscrições: 2672-7744
A Clínica de Pacientes Especiais funciona às quintas-feiras das 8h às 17h.
Inscrições: 2672-7814
DENTISTAS DO BEM
Escolas interessadas no tratamento odontológico dos seus alunos devem entrar em contato com a ONG através do e-mail dentista@turmadobem.org.br
Dentistas que desejam participar da ONG devem entrar no site: www.turmadobem.org.br/dentista