Rio - Se o cenário apontado ao longo deste ano nos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, em inglês) já era ruim, ontem o jornal britânico ‘The Independent’ deu mais motivos ainda para a humanidade ligar o sinal de alerta hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente. Segundo a publicação, que citou pesquisas recentes, a humanidade está aumentando as emissões de gás carbônico (CO2) na atmosfera a uma velocidade três vezes maior do que nos anos 90, o que pode indicar que até as piores previsões da ONU são, na verdade, otimistas.
A publicação cita estudos publicados pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e pela Universidade da Califórnia, que indicam aumentos nas emisões de gás carbônico de 1,1% na década de 90 para 3%. Pela lógica, estariam sendo muito animadoras as previsões do IPCC de que, por exemplo, até 30% das espécies de animais e vegetais podem desaparecer, as temperaturas podem subir até 6,4 graus e 60% da Amazônia devem se transformar em cerrado até o fim do século.
Para ratificar as pesquisas, o jornal britânico cita o caso do derretimento das calotas polares do Ártico. “Um estudo do Centro Nacional da Neve e Gelo da Universidade da Califórnia mostra que o gelo do Ártico diminuiu cerca de 7,8% por década nos últimos 50 anos, comparado com uma média estimada por modelos de computados do IPCC de 2,5%”, diz o ‘Independent’. Com o aumento no derretimento, o volume do mar estaria crescendo com o dobro da velocidade.
Também produzido nos EUA, o estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos responsabiliza os países em desenvolvimento por três quartos do aumento das emissões de CO2, com destaque para a China. Em maio, um dos relatórios do IPCC defendeu, no entanto, que nações em desenvolvimento que estão se industrializando, como o Brasil, China e Índia, têm freado o aumento da emissão de gases do efeito estufa num nível superior aos cortes totais que são exigidos aos ricos.
Divergências entre estudos e relatórios à parte, dirigentes dos sete países mais poderosos do mundo e a Rússia (G8) têm, esta semana mais uma oportunidade de impedir que o mundo se transforme numa imensa panela, onde o prato principal seriam ricos e pobres.
O ano de 2007 já está marcado como o do verdadeiro despertar do homem para os resultados desastrosos das agressões ao meio ambiente. Relatórios do IPCC da ONU revelaram com números assustadores que a humanidade vai prestar contas por abusar da natureza: até o fim do século, o nível do mar, por exemplo, pode aumentar em até 60 centímetros, e áreas como o Pólo Norte poderão desaparecer, assim como um de seus símbolos, o urso polar. Quem sofreria mais, no entanto, seriam as áreas mais pobres.
As previsões sombrias, caso o homem não pare de ‘fritar’ o mundo com o efeito estufa, não acabam por aí. Desarranjos climáticos podem provocar falta d’água que atingirá entre 1 bilhão e 3,2 bilhões de pessoas. Até o fim do século, 75% das geleiras do mundo poderão derreter, provocando inundações.
Algumas conseqüências do aquecimento global previstas já estão até em andamento. O número de inundações e catástrofes ligadas às mudanças climáticas, por exemplo, tem aumentado: em 2003, na Europa uma grande onda de calor matou 35 mil pessoas.
A boa notícia é que é possível evitar maiores catástrofes no meio ambiente sem tirar a economia global dos trilhos. Para conter o aquecimento, segundo os cálculos da ONU, a humanidade ‘gastaria’ no máximo 3% de seu Produto Interno Bruto (PIB), até o ano de 2030. Professora do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe, Suzana Kahn Ribeiro, lembra que muitas medidas que podem ajudar estão relacionadas mais com políticas públicas do que com tecnologia.