Genebra - A Petrobras propôs ao Conselho Internacional do Pacto Global das Nações Unidas a criação de um fórum de debates para aprofundar a discussão sobre as formas de reduzir as emissões de carbono nas atividades das empresas signatárias.
A proposta foi formalizada em carta enviada ao Diretor-Executivo do Pacto Global, Georg Kell, e apresentada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, aos participantes da Conferência de Líderes do pacto Global que acontece até esta semana em Genebra, na Suíça.
Cento e cinqüenta e três das mais de 3.800 empresas que aderiram ao Pacto Global desde a sua criação, em 2000, assinaram um documento comprometendo-se a cumprir metas voluntárias de redução nas emissões de carbono em seus processos e produtos. A exemplo da maioria das empresas petrolíferas, a Petrobras não assinou o documento, pois acredita que ele pode ser aperfeiçoado como instrumento de controle efetivo das ações das signatárias.
"A Declaração é importante porque avança em vários temas ligados à mudança climática, mas devemos considerar que existem diferentes realidades empresariais e sociais. A Petrobras é uma empresa de energia cujo principal produto é o petróleo, um hidrocarboneto. Na Declaração fala-se em reduzir as emissões de carbono também nos produtos, e este é o único problema do texto para nós. Podemos reduzir as emissões no mix de produtos da Petrobras, melhorando a eficiência energética de nossos processos, desenvolvendo biocombustíveis e outras fontes renováveis de energia, mas não podemos reduzir o teor de carbono do petróleo. Esta é uma limitação física", afirmou Gabrielli durante apresentação na Conferência de Líderes.
Gabrielli defende que as metas de responsabilidade ambiental sejam perseguidas ao mesmo tempo em que a Companhia cumpre seu papel empresarial, proporcionando a energia necessária ao desenvolvimento da sociedade em que atua. "Por isso estamos propondo a criação de um fórum de debates sobre o tema, para que se possa tratar das diferenças entre as empresas, os setores e seus produtos. Uma coisa é um banco reduzir emissões de carbono, outra é uma empresa de petróleo. A realidade é muito diferente", exemplificou Gabrielli.