Brasília - Mais da metade dos brasileiros, 53%, bebe mais de uma vez por semana. Deste total, 12% têm problemas com o álcool. Por outro lado, 48% não bebem em nenhuma hipótese. Os dados estão no 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Álcool na População Brasileira, que foi apresentado nesta quarta-feira pela Secretaria Nacional Antidrogas.
A pesquisa, inédita, ouviu, durante quatro meses, três mil pessoas, todo o país. Entre os que consomem álcool, 23% informaram que bebem freqüentemente, uma ou mais vezes por semana; 29% se dizem bebedores pouco freqüentes e afirmam que não fazem uso pesado de bebida. A cerveja, ou chope, é a bebida mais consumida, seguida de vinho e cachaça.
O governo federal investiu R$ 1 milhão no levantamento, com o objetivo de fazer um mapa completo da situação. Foi a primeira pesquisa nacional sobre o assunto no Brasil, e os números obtidos serão usados para nortear, a partir de agora, as políticas públicas para álcool.
Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a pesquisa reforça, por exemplo, a necessidade de se restringir a propaganda de bebidas alcoólicas. “Com certeza. Um dado importante que a pesquisa mostra é que há, sim, uma importância grande da propaganda no estímulo cada vez mais precoce da experimentação da bebida. Outro dado importante que a pesquisa mostra é que quase 70% da população apoiaria medidas mais drásticas na restrição da propaganda”.
Segundo o levantamento, os adolescentes, tanto meninas quanto meninos, começam a beber cada vez mais cedo, aos 13 anos de idade. E 30% dos adolescentes bebem muito, pelo menos duas vezes por mês. Além da restrição da propaganda, a educação é apontada como uma política que precisa ser continuada para diminuir o consumo precoce de álcool.
“Nos dois últimos anos, formamos 25 mil educadores para aprenderem a identificar o problema, saber como abordar o jovem na escola e a família e, fundamentalmente, orientar esses jovens e famílias na busca da solução. Um tratamento, se for o caso, ou um acompanhamento”, disse o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e presidente do Conselho Nacional Antidrogas, ministro Jorge Armando Félix.
O consumo abusivo de álcool é responsável por cerca de 3% das mortes em todo o mundo, incluindo cirrose, câncer, acidentes, quedas, intoxicações e homicídios. No Brasil, o álcool é a causa de 8% a 15% dos problemas de saúde da população.
A pesquisa revela ainda que dirigir depois de beber é um comportamento comum entre os brasileiros. Mesmo assim, a maioria é favorável a penas mais rígidas. Ao todo, 63% dos entrevistados apóiam a prisão para motoristas que dirijam alcoolizados.
Agência Brasil