LONDRES - Cientistas britânicos anunciaram ontem a criação de partes do fígado humano em laboratório. A miniatura do órgão — com menos de 3 cm — foi obtida a partir de células-tronco do cordão umbilical, na Universidade de Newscastle.
Os cientistas garantem que no futuro será possível desenvolver um fígado de tamanho real para ser usado em transplantes. Mas há ainda um longo caminho até que isso seja possível.
“Os pesquisadores conseguiram criar o fígado sem precisar de embriões. É um grande avanço ético”, disse Ian Gilmore, especialista em fígados no Royal Liverpool Hospital, acrescentando que o estudo dá esperança aos candidatos a transplante.
Os coordenadores da pesquisa, Nico Ferraz e Colin McGuckin, afirmam que em 10 ou 15 anos a técnica utilizada na criação do fígado poderá ser usada na recuperação de partes do órgão de pacientes com doenças.
Utilização de cobaias pode ser evitada
A princípio, o órgão desenvolvido no laboratório britânico poderá ser usado para testar drogas e produtos farmacêuticos, evitando o uso de cobaias animais e humanas. No Brasil, a notícia foi bem recebida.
“Isso é ótimo porque possibilita não só a pesquisa de drogas para o fígado, mas de outras que estão no mercado destinadas a outras oenças e que vêm causando problemas no fígado”, afirma o cirurgião hepático do Hospital Geral de Bonsucesso Alexandre Cerqueira.
No início do ano, seis pacientes ficaram doentes depois de servir de cobaia em testes no hospital de Northwick Park, em Londres.
Segundo os médicos britânicos, o tecido do fígado foi desenvolvido utilizando um “biorreator” da Nasa para simular o efeito de gravidade zero. O efeito, de acordo com eles, permite que as células se reproduzam num ritmo mais avançado.
