Rio - A dor de ter um filho internado por meses numa Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) tem unido mães de diversas parte do País, que usam a Internet para falar dos seus medos, contar suas histórias e buscar apoio. A rede solidária funciona há um ano através do site do Instituto Abrace (www.institutoabrace.org.br), que recebe 10 mil acessos por mês.
“Quando um filho passa meses numa UTI, a vida da mãe vira de cabeça para baixo. A gente vive em função da criança, se sente muito sozinha. Tem coisas que a gente não consegue falar nem para o marido ou a melhor amiga. No site, várias mães que vivem o problema se confortam, se ajudam”, conta a terapeuta corporal Maria Julia Miele.
Maria, que acompanhou a filha Sofia por um ano e meio numa UTI, teve a idéia do endereço eletrônico. “Não tenho mais minha filha, mas quero que outras mães sintam-se mais amparadas, mais fortalecidas e menos solitárias nessa difícil tarefa”, conta.
A jornalista Denise Crispim, 27 anos, foi uma das que tiveram o amparo da rede solidária. Ela viveu o drama em dose dupla: teve duas filhas gêmeas prematuras, Vivi e Sofia. “Quando saí da UTI, depois de mais de dois meses, não conseguia falar porque a gente sai muito traumatizada. No site da Abrace vi muitas histórias parecidas com a minha e isso me deu coragem para falar”, conta Denise, que perdeu uma das meninas. Sofia hoje tem 1 ano.
Troca e doação de remédios
A rede de solidariedade não se limita a ajuda psicológica e troca de experiências. Através do site do Instituto Abrace, mães trocam medicamentos, leites e fazem doações de insumos.
“As mães também passam a saber vários direitos, como o de receber medicamentos e leites caros do estado, aposentar os filhos, não pagar IPVA ou IPTU. As leis existem, mas muitas pessoas não sabem”, conta Maria Julia, que antes de criar o endereço eletrônico transformou em livro (‘Mãe de UTI - amor incondicional’) os textos que escreveu no período de internação da filha.
A apresentadora Ana Maria Braga é a madrinha do instituto, que se recusa a receber doação. “Com o dinheiro do livro, pago a Internet e o provedor. Todos são voluntários”, diz Maria Julia.