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24/2/2007 17:46:00

Eles ajudam médicos a ajudar

Em favela de Copacabana, ‘padrinhos’ pagam até R$ 40 mensais para atendimento médico de ‘afilhados’ carentes

Rio - Na maioria das vezes, os médicos voluntários não conseguiriam levar o trabalho adiante, seja em comunidades carentes, seja nos próprios consultórios, sem a ajuda de pessoas comuns que ajudam a financiar projetos solidários. Um bom exemplo disso é o trabalho desenvolvido pela ONG Ação pelo Semelhante, que presta assistência médica a cerca de 180 crianças carentes do Morro dos Cabritos, em Copacabana. Segundo o fundador da ONG, o homeopata Hylton Sarcinelli Luz, o ‘padrinho social’ desembolsa R$ 40 por mês para dar tratamento médico, psicológico e fonoaudiológico gratuito a crianças da comunidade.

A dona-de-casa Paula de Freitas Silva, 21 anos, conheceu a ONG através da creche do filho, o pequeno Kaio Manoel Silva Carvalho, de apenas 1 ano. Ela não hesitou em pedir ajuda quando o menino começou a apresentar os primeiros sinais de bronquite. “Meus sobrinhos sempre se trataram aqui e o resultado sempre foi excelente. Quando o Kaio passou mal, resolvi experimentar e nunca mais saí”, conta.

O ‘padrinho social’ do pequeno Kaio é o engenheiro de telecomunicações Evandro Cunningham Guimarães, 51, voluntário da ONG há dois anos. “Seria ótimo se todos pudessem doar um pouquinho de si para colaborar com um projeto tão bom quanto esse. É reconfortante saber que estou investindo num programa que dá certo”, orgulha-se Evandro.

A exemplo de Paula, a doméstica Simone Geraldino de Assunção, 33 anos, também procurou a ONG porque não tinha condições de pagar um plano de saúde e o atendimento na rede pública do estado sempre deixou a desejar. “A diretora da creche me indicou a ONG há seis meses. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de conhecer a pessoa que ‘adotou’ a saúde de meu bebê, mas é bom saber que posso contar com alguém”, emociona-se Simone.

Já o atendimento psicológico da ONG fica a cargo da psicóloga Lúcia Helena Tapajós Antunes dos Santos. Madrinha da instituição há sete anos, ela se propõe a conversar com pais e responsáveis quando a criança não vai muito bem na escola. “O reconhecimento dos pais é mais valioso que qualquer remuneração. Mesmo assim, precisamos de mais colaboradores. Não podemos fazer milagres”, afirma.

‘Apesar das dificuldades, servir é privilégio’

O apoio de empresas e doadores é fundamental para o sucesso de empreitadas solidárias como as da Pró-Criança Cardíaca. Fundada em 1996 pela cardiologista Rosa Célia Pimentel, a ONG era voltada ao atendimento de crianças carentes com cardiopatias, com uma meta inicial de quatro cirurgias por mês. A demanda foi tanta que a ONG passou a oferecer também atendimento odontológico e a fornecer roupas, remédios e cestas básicas.

Em 2006, a ONG completou 10 anos. Foram 572 cirurgias em 9.278 crianças. Hoje, conta com 380 pessoas físicas e 18 jurídicas. “Disponho de um poder que preciso compartilhar com os outros, principalmente com os menos favorecidos. Apesar das dificuldades, servir é privilégio”, afirma Rosa Célia.

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