Rio - Mais uma criança morreu ontem com suspeita de dengue hemorrágica. O óbito de Jamile Cristina Ferreira, 2 anos, ainda não faz parte das estatíticas oficiais do estado, mas segundo a família de Jacarepaguá, a menina pode ter sido mais uma vítima do Aedes aegypti.
De acordo com o pai da criança, Jurandir Ferreira Júnior, Jamile apresentou os primeiros sintomas no dia 20 de fevereiro. Ela foi levada para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra. “Minha filha ficou internada de domingo a terça-feira. Os médicos deram alta porque não havia vaga no hospital. Jamile voltou para casa evacuando sangue. Tentamos interná-la no Hospital de Curicica e também não conseguimos. Ontem, um mês depois, o estado de saúde piorou e voltamos ao Lourenço Jorge onde ela morreu”, lamentou Jurandir. Ele irá processar os dois hospitais.
Um bebê, que nasceu em janeiro prematuro de sete meses, está internado no CTI da Clínica Amiu, em Jacarepaguá, com suspeita de dengue hemorrágica. Ana Luiza Barbosa de Oliveira, agora com 2 meses, apresentou os sintomas da doença na madrugada de domingo. Ela, que até o mês passado estava na incubadora, voltou à clínica para internação por causa da dengue. O agente de segurança Leonardo José Soares de Oliveira, 31, pai da menina, acredita que o foco do mosquito seja um terreno e duas piscinas que pertencem ao Exército, e que ficam nos fundos da casa. “Há um ano foi desativado o 15º Regimento da Cavalaria Mecanizada do Exército. O local está abandonado e ainda há duas piscinas desativadas”, diz.
Leonardo conta que já procurou as autoridades e nada foi feito. “É um total descaso com a população. Fui na prefeitura e não consegui ser atendido. Não consigo trabalhar. Minha filha lutou para começar a viver e agora volta para o mesmo hospital para lutar contra a doença. Estou arrasado”.