- Na sua visão, qual a perspectiva para as eleições municipais e a parceria município-estado para fortalecer a política ambiental do estado do Rio? O que a senhora espera?
- "Espero que o próximo prefeito tenha uma maior integração na sua gestão com o estado, porque em todas as políticas de meio ambiente, não há possibilidade de tocá-las sem a participação do município. É absolutamente importante que o próximo prefeito tenha uma postura mais colaborativa em relação ao governo estadual e, principalmente, à Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
- Que projetos já estão em curso?
Atualmente, em toda a Baixada temos uma parceria muito grande com os municípios. Temos o Projeto Iguaçu, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, uma obra que consiste em 960 apartamentos que vão abrigar moradores que vivem às margens dos rios Iguaçu, Sarapuí e Brotas, orçada em R$ 35 milhões, e que ficará pronta em 28 meses e terá mão-de-obra dos moradores.
Conseguimos arranjar 270 milhõees de reais do PAC para a Baixada, graças à uma parceria forte entre a Serla e os Municipios da Baixada, para aplicar em um programa que é grave aqui. Minha expectativa é que tenhamos uma troca maior com a prefeitura do Rio na questão dos parques, nas áreas de conservação ambiental, despoluição das lagoas, saneamento. E isso não tem como fazer sem a participação efetiva do município."
- Nota-se que, hoje em dia, as empresas estão adotando o discurso verde. Mas na prática, muitas deixam a desejar. Então, qual a sua expectativa quanto à consolidação desse discurso e o papel do consumidor?
- "É que esse discurso cada vez mais se aprofunde e seja de fato aplicado pelas empresas. Atualmente, a necessidade que elas têm de alcançar mercados internacionais, passar por processos de certificação que atestam a boa conduta ambiental, faz com que estejam mais atentas ao meio ambiente. Então, o consumidor atento deve procurar denunciar as empresas que não cumprirem o prometido, observar se elas têm postura ambiental adequada, para que, caso contrário, sejam punidas".
- Acha que o meio ambiente já está enraizado nas práticas cotidianas ou falta muito?
- "Está enraizado na cosnciência das pessoas, no sentido de que elas estão mais atentas. Mas, para transformar em questões mais práticas, ainda há muito a ser feito, seja em relação a questão do lixo (que é o problema mais grave nas áreas urbanas), a questão da água... Isso precisa melhorar e muito."
A troca de ministros impulsionou a questão ambiental?
- "Essa troca no ministério teve o grande mérito de trazer a questão ambiental para a primeira páginas dos jornais, no Brasil e no mundo. Marina Silva almejava isso de certa forma. Fez esse movimento radical e, com a entrada do Carlos Minc, o assunto acabou tendo essa repercussão toda, trazendo à tona que este é um assunto que merece ser respeitado e discutido. Tenho plena confiança no trabalho do Carlos Minc, na implementação de tudo o que ele pensa. E ele está consciente que agora, em termos de ministério de meio-ambiente, ele é o mais importante do mundo. Marina Silva cumpriu com grande sucesso o seu posto e continuará cumprindo, como senadora, lutando pela questão ambiental.